São Paulo – O Selo Diversidade no Trabalho, uma iniciativa para superar a discriminação contra negros e mulheres na cidade de S. Paulo, foi uma das experiências de boas práticas, destacadas pelo X Congresso Internacional de Cidades Educadoras, encerrado neste sábado, no Palácio de Convenções do Anhembi. É a primeira vez que o Congresso, promovido pela Associação Internacional das Cidades Educadores, com sede em Barcelona, Espanha, acontece na América Latina.
O Selo foi tema do workshop, ocorrido na última quinta-feira (24/04), na sala Lyon, que também discutiu o Programa de Capacitação em Direitos Humanos com recorte em contrabando e tráfico de imigrantes latino-americanos, Novas Culturas Urbanas Juvenis e para a Interculturalidade, apresentado pela Câmara de Lisboa, e e uma experiência de Educação para crianças de 0 a três anos, na França, apresentado pela cidade de Rennes.
Criado no segundo semestre de 2.006, por iniciativa do jornalista Dojival Vieira, presidente da Comissão Intersecretarial de Monitoramento e Gestão da Diversidade, que implementa em S. Paulo o GRPE (Programa de Fortalecimento Institucional para Igualdade de Gênero e Raça, Erradicação da Pobreza e Geração de Emprego), da OIT, e institucionalizado pelo decreto 47.911, assinado pelo prefeito Gilberto Kassab, o Selo é uma experiência pioneira, que estimula as empresas e organizações da sociedade a valorizarem a diversidade e a enfrentarem a cultura da discriminação.
Primeira edição
Na primeira edição, 39 empresas, entidades sindicais, empresariais e do terceiro setor participaram da iniciativa. Os relatórios apresentados – conforme prevê o decreto – estão em fase de avaliação por um Comitê Gestor formado por representantes do Poder Público e das entidades parceiras do Selo. Depois disso, o secretário do Trabalho, Nelson Hervey Costa deverá baixar portaria que abrirá prazos para a edição deste ano.
Entre as empresas parceiras estão o Metrô de S. Paulo, a Anhembi Turismo, a CET – Companhaia de Engenharia de Tráfego – e a SPTrans. Também são parceiras, a Fersol e as Camisarias Colombo, além de entidades sindicais como o SinSaúde e o Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, que tem na sua base cerca de 400 mil trabalhadores.
Na exposição, durante o Congresso, o jornalista Dojival Vieira, disse que o Selo é uma experiência a ser ampliada. “São Paulo é a maior cidade negra do mundo, fora da África. No mundo, apenas Lagos, na Nigéria, e a cidade do Cairo, no Egito, tem uma população negra maior. Lamentavelmente, porém, ainda convivemos com uma cultura discriminatória, que acarreta uma desvantagem histórica para a população negra e que é apontada por todos os indicadores sócio-econômicos”, disse o jornalista.
Ele explicou que o Selo não tem caráter de certificação nem de auditagem, mas de reconhecimento e é conferido às empresas e instituições que se comprometam com a superação da discriminação, formalizando sua adesão ao Pacto pela Valorização da Diversidade de Gênero e Raça no Trabalho – documento que é parte integrante dos compromissos a serem assumidos. Com o Selo as empresas adquirem uma marca positiva que pode ser utilizada no seu marketing. “Trata-se de uma iniciativa, que dá sentido ao conceito de responsabilidade social tão caro à estas instituições e que só tem valor e peso quando deixa o plano do abstrato. A empresa que valoriza a diversidade ganha vantagem competitiva. Diferença não é problema, é solução. Precisamos acabar com o racismo institucional e com o machismo, que são elementos estruturantes da desigualdade social brasileira”, finalizou o jornalista, que no final da exposição homenageou as duas equipes de estagiários que participaram da criação do Selo na Secretaria do Trabalho e as empresas e instituições parceiras.
Crédito popular
Além do Selo Diversidade, a Secretaria do Trabalho teve ainda um outro programa escolhido como experiências de boas práticas pelo Congresso – o Crédito Popular Solidário, o programa de microcrédito, que foi exposto pelo gerente Paulo Kolosi.
Os workshops contaram com a exposição de experiências de cidades de outros países, como a Espanha, Portugal, França, Finlândia, Argentina, Chile e Itália, com temas focados na inclusão social, diversidade e igualdade de direitos. O tema deste X Congresso foi a construição de Cidadania em Cidades Multiculturais. Cerca de 500 cidades participaram do Congresso.

Da Redacao