Salvador – Líderes da sociedade civil das Américas abriram na manhã desta quarta-feira (16/11) o Fórum da Sociedade Civil Íbero-Americana, preliminar do Encontro que acontece até sábado no Centro de Convenções da Bahia e que tem presença confirmada da Presidente Dilma Rousseff e dos presidentes de Cabo Verde, Urugaui, República da Guiné e do primeiro ministro de S. Vicente e Granadinas.
O Fórum – promovido pelo Governo brasileiro e pela Secretaria Geral Íbero-Americana (SEGIB) – foi aberto por volta das 9h30 pelo ex-ministro da Cultura Juca Ferreira, embaixador da SEGIB para a comemoração do Ano Internacional dos Afrodescendentes, sem a presença da ministra chefe da SEPPIR Luiza Bairros, que esteve no Centro de Convenções, mas se retirou cinco minutos antes para atender a outros compromissos, segundo justificou sua assessoria.
Mesa
Juca dividiu a mesa com lideranças da sociedade civil, da SEPPIR e da Secretaria da Igualdade Racial da Bahia (SEPROMI). Na abertura disse que o Fórum é uma oportunidade para que se possa “aproveitar o Ano Internacional dos Afrodescendentes para avançar nas articulações do Movimento Social com seus Governos”, aludindo a iniciativa de lideranças negras descontentes com o pouco tempo para a discussão de uma agenda do movimento negro nas Américas.
A SEGIB é uma organização internaancional com sede em Madri, criada em 2003, fruto da I Cúpula Ibero-Americana de Chefes de Estado e de Governo, celebrada em 1.991. É formada por 22 países – 19 na América Latina, três na Península Ibérica: Espanha, Portugal e Andorra.
Ausência e repercussão
A ministra chefe da SEPPIR, cuja presença na mesa de abertura do Fórum era aguardada, retirou-se cinco minutos antes do início alegando não poder esperar por ter outros compromissos, o que chegou a causar um certo mal estar em lideranças do Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR), responsável pela organização da participação da sociedade civil no evento.
Ela foi representada na mesa pela assessora de Relações Internacionais Magali Naves. No final a assessora disse a Afropress que a ministra teve de sair para a gravação de um depoimento alusivo ao Encontro Íbero-Americano.
A pauta nas Américas
Na abertura, com o auditório da Sala Stela Maris, lotado Gilberto Leal, pela Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN), Elias Sampaio, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPROMI), Vera Baroni, representantdo a comissão organizadora do CNPIR e Humberto Brown, do Panamá, representando a Diáspora Latina, saudaram os participantes.
“Se estamos falando de Ano Internacional dos Afrodescendentes é graças a América Latina e Caribe. Esse Fórum é para que sigamos exigindo equidade, exigindo sermos tratados como seres humanos. Há pouca democracia em nossos países se são racistas”, afirmou.
Bastante aplaudido, Brown falou dos desafios do Fórum. “Quando nos venderam como escravos sabiam quantos éramos, qual era o nosso valor. Não estamos pedindo favores”, afirmou.
Democracia
Para Elias Sampaio, o “Brasil só pode ser plenamente desenvolvido com a inclusão integral da população negra”. “Quem financiou a riqueza e o capitalismo no Brasil fomos nós”, sublinhou.
Por sua vez, Vera Baroni, representando o Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial, também considerou pequeno o tempo para a construção de uma agenda. “Não queremos mais oferecer soluções que ficam no papel”, afirmou. “Com racismo jamais construir uma democracia no nosso continente”, continuou.
Baroni arrancou aplausos quando fez a defesa enfática da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), que estaria ameaçada de perder o status de ministério na reforma ministerial pretendida pela Presidente Dilma Rousseff.
“A universalidade das políticas públicas não dão conta de nossas necessidades, por isso queremos a manutenção da SEPPIR como um ministério da Igualdade Racial”, afirmou.

Da Redacao