Eu sou pela vida. Não defendo nem celebro a morte. Todo homem que morre (e estou falando do gênero humano, homo sapiens, portanto homens e mulheres), ficamos mais pobres, a humanidade se ressente, fica menor. Portanto, não desejo nem celebro.

 

Ninguém deveria fazê-lo.

Tenho acompanhado a repercussão do episódio do atentado à faca envolvendo o ex-capitão reformado e constato algumas coisas igualmente assustadoras, como assustador é o personagem.

1 – a reação dos seus seguidores segue o padrão do fanatismo quase religioso. Houve até um idiota que escreveu que ele agora está eleito por ter "derramado seu sangue pela pátria.";

2 – o caso precisa ser investigado com rigor, porque um ato insano de um notório tresloucado, está sendo clara e visivelmente transformado em propaganda eleitoral. Um filho chegou a dizer, à saída do Hospital, em Juiz de Fora: "elegeram meu pai à Presidência da República", o que dá bem uma ideia da ausência completa de escrúpulos e do oportunismo dessa gente. Querem aproveitar o ato de um insano para seguir com a insanidade;

3 – o fanatismo político e religioso inviabilizam o exercício e o uso da racionalidade, atributo só encontrável em nossa espécie;

4 – o ocorrido é a prova mais evidente de um ditado popular muito antigo – "quem semeia ventos, colhe tempestade" – que também pode ter a seguinte tradução: quem semeia ódio e violência se torna alvo de violência e ódio. É a lei do eterno retorno. Inexorável;

5 – o jornalismo vai aos poucos decretando a sua própria morte. Se ainda existisse na sua plenitude, a primeira coisa a fazer seria ouvir o chefe da equipe médica para saber da real condição de saúde do paciente, evitando-se a instrumentalização política do fato, como está escandalosamente ocorrendo. A própria PF não tem isenção para investigar o caso porque é notório que nem a instituição – aliás, nenhuma instituição – escapa do facciosismo e às divisões políticas e ideológicas;

6 – interessante a reação dos demais candidatos e do mundo político – e aí incluem-se a maioria dos analistas – todos unânimes, do petismo aos analistas da GloboNews, em afirmar ter se tratado de um atentado à democracia, quase que elevando o ex-capitão à condição de mártir, herói da democracia; 

7 – quanta bobagem, quanta demagogia de gente que se toma como séria. O ex-capitão conspira contra a democracia desde o tempo em que foi acusado de tentar explodir bombas em quartéis. Nesta campanha não faz outra coisa, por exemplo", ao defender o fuzilamento da "petralhada" como fez no Acre há  cerca de 15 dias.

8 – dito isso, como não desejo nem celebro a morte de nenhum homem, espero a pronta recuperação do ex-capitão reformado para que ele e o que representa – defesa da tortura e celebração de torturadores, xenofobia, misogenia, homofobia, racismo – possa ser derrotado nas urnas e no plano das ideias, o único caminho para reunificar o país dividido pela desigualdade e pela violência.


#Eleiçoes2018 #Chegadeodiointolerância #Flima2018 #BrasilsemRacismo#Afropress

 

Dojival Vieira