S. Paulo – Representantes de cerca de 12 cidades do interior do Estado encerraram neste sábado, 10/12, o III Seminário de Parlamentares e Executivos Afrodescendentes, promovido pelo Conselho da Comunidade Negra do Estado, prometendo engajamento total na mobilização em defesa da liberdade de culto, diálogo entre as religiões e desagravo ao Secretário Hédio Silva Jr., que vem sendo alvo de ataques e de perseguição por parte da Igreja Universal.
O Seminário foi realizado durante todo o dia no Memorial da América Latina e segundo a professora Elisa Lucas, presidente do Conselho, marcou o encerramento da programação deste ano. Ela disse que o interesse das cidades do interior tem sido crescente o que reflete a evolução da consciência da necessidade a luta por igualdade racial.
Hédio, que na condição de diretor executivo do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) iniciou a ação na justiça pedindo direito de resposta para as religiões de matriz africana – sistematicamente ofendidas pela Universal – passou a sofrer ataques do Jornal da Igreja – A Folha Universal – cuja linha é ditada pelo bispo Edir Macedo e também das emissoras de TV – Rede Record e Rede Mulher. A Justiça já decidiu dar ganho de causa as religiões de matriz africana, porém, a Universal tem usado o expediente do recurso a todas as instâncias para não cumprir a decisão.
A ação foi movida também pelo Instituto Nacional de Tradição e Cultura-Afro-brasileiras (INTECAB) e pelo Ministério Público Federal. O direito de resposta já foi gravado e, nele, os sacerdotes, defendem a liberdade religiosa, fazem um apelo a uma cultura de paz e ao diálogo entre as religiões.
Inconformado com as derrotas na Justiça, o bispo Macedo, passou a orientar os seus jornais e emissoras a atacar Hédio e tem se movimentado intensamente nos bastidores políticos. Macedo teria almoçado esta semana com o governador Geraldo Alckmin para pedir a cabeça do Secretário de Justiça.
Depois de fazer uma exposição sobre “Mídia e Igualdade Racial” em que relatou a experiência da Afropress, o jornalista Dojival Vieira, disse que a ação da Universal representa uma afronta às decisões judiciais e atinge toda a população negra. “A campanha contra as religiões de matriz africana é uma ameaça ao caráter laico do Estado brasileiro e desrespeitam valores sagrados da população negra. O que os senhores de escravos não conseguiram estão tentando mais uma vez, que é afrontar destruir valores sagrados do povo negro. Também desta vez não conseguirão”.
Além das derrotas seguidas na Justiça, no caso da ação do direito de resposta, o bispo Macedo teve na semana que passou seu livro “Orixás, caboclos e guias – deuses ou demônios” em que ataca as religiões, proibido de circular em todo o território nacional por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Da Redacao