Brasília – O Seminário Internacional “Herança, Identidade, Educação e Cultura: gestão de sítios históricos ligados ao tráfico negreiro e à escravidão”, promovido pela Fundação Palmares em parceria com a Unesco no Hotel Saint Peter, em Brasília, prosseguiuu nesta quarta-feira (22/08), após um dia de debates, iniciado logo após o café às 9h, e reuniões técnicas com a participação de profissionais na preservação de países da África, das Américas, da Europa, do Caribe e do Oceano índico.
Nesta quinta-feira (23/08), o Seminário será encerrado, após a definição de critérios para a implantação de uma Rede internacional de especialistas encarregados da gestão dos sítios e lugares de memória ligados ao tráfico negreiro e à escravidão.
Na noite de ontem, aconteceu show de Carlinhos Brown no Teatro Nacional para celebrar os 24 anos da Fundação Palmares, que contou com a presença dos representantes dos países, da ministra da Cultura Ana de Holanda e do presidente da Palmares, Elói Ferreira de Araújo.
Brown cantou vários hits do seu repertório e deu “vivas” a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, cujo nome está registrado no Panteão da Pátria.
Reuniões técnicas
Nas reuniões técnicas, o diretor do Harriet Tubman Institute for Research on de the Global Migrations of African Peoples (Harriet Tubman Instituto de Pesquisa sobre as Migrações Globais dos Povos Africanos), revelou aspectos pouco conhecidos sobre o papel do Canadá relacionados à escravidão.
“O Canadá abrigou cerca de 20 mil afrodescendentes que escaparam da escravidão ou fugiram dos Estados Unidos, porque tinham medo de serem reescravizados, mesmo já sendo libertos”, contou.
Segundo Lovejoy uma das preocupações dos canadenses é sobre como fazer com que os cidadãos aprendam o impacto da escravidão no mundo moderno e como fazê-los entender que se trata de um crime de lesa humanidade.
Ele explicou que o país tem um programa de rastreamento de sítios da experiência afro-canadense, onde o reconhecimento dos lugares de memória é realizado em cooperação com as comunidades.
Haiti é aqui
A representante do Haiti, Mireille Frombum, apresentou o Museu pertencente à família, transformado em local de memória, e garantiu que as dificuldades políticas e os desastres naturais como o terremoto não destruíram a força do povo haitiano.
O Museu foi reconstruído a partir de ruínas e tem como missão principal trabalhar para o desenvolvimento da auto-estima e a valorização da história do país, que conseguiu a abolição por meio de uma revolução liderada por negros no final do século XVII.
Os especialistas africanos falaram, em geral, da dificuldade em repassar aos visitantes dos sítios históricos ligados a verdadeira história da escravidão.
O diretor de Educação dos Museus de Gana e Conselho de Monumentos (GMMB), Stephen Korsah, lembrou que a questão se torna ainda mais complicada, porque os africanos têm uma versão sobre a escravidão, enquanto os europeus e os livros de história apresentam outras versões.
“Conhecer a verdadeira história é complicado, por isso, decidimos mesclar e utilizar o que há nos livros e nos relatos orais da população”, acrescentou.

Da Redacao