S. Paulo – Depois de trocar mais de 90% dos membros da equipe de direção, a ministra Luiza Bairros tornou pública a sua avaliação crítica em relação a SEPPIR, criada em 2003, no primeiro Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “A SEPPIR bateu no teto. Se agente não conseguir um salto visível do ponto de vista da política pública, a gente vai ter que sentar e conversar lá na frente. Olha desse jeito aqui não vai”, disse.
Segundo ela, a SEPPIR “tem muitas lacunas para o que existe de demanda” e citou como exemplo de demandas a questão da política em relação a imigração africana e a política para mulheres”.
No encontro com ativistas em S. Paulo, no auditório da CONE, centro de S. Paulo, neste sábado (09/04), ela também falou sobre o Plano Brasil/Estados Unidos para a Superação da Discriminação Racial (JAPER, na sigla em inglês) e foi contundente no diagnóstico. “O Plano de Ação, na prática, não existe”.
“Tem crítica de todos os lados. Não havia um Plano de Ação escrito. Não havia definição do modelo de gestão desse Plano. Chamamos as representações da sociedade civil brasileira para se colocarem as demandas, os entraves. Conversmos com uma representação do Departamento de Estado dos EUA e com o Itamaraty, no sentido de dar uma nova formatação desse Plano. Vamos puxar isso prá dentro, puxar uma conversa prá ver se agente cria outras possibilidades”, afirmou, anunciando que este ano há uma reunião agendada para Ouro Preto, Minas Gerais, para discutir esses e outros temas relacionados ao acordo bilateral.
Luiza Bairros, também aproveitou um questionamento do coordenador geral dos Agentes de Pastoral Negro, Nuno Coelho, para responder a críticas como as feitas recentemente pelo Secretário de Combate ao Racismo do PT de S. Paulo, Cláudio Silva, o Claudinho de que, embora do ponto de vista técnico sua gestão tenha acertos, do ponto de vista político “tem erros gravíssimos”.
“Prá mim essa coisa de dizer que não fazemos política, não faz o menor sentido. Essa era a crítica que se fazia à Dilma. Não sei como é que uma pessoa chega a ministra sem fazer política. Como se mantém no cargo, sem fazer política. Não tem como”, acrescentou.

Da Redacao