Brasília/Rio – Doze dias após as primeiras denúncias de irregularidades no Prêmio Funarte de Arte Negra 2012, que teria tido os seus resultados definidos por critérios político-partidários, a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República (SEPPIR), falou pela primeira vez do caso.

Em Nota enviada à Afropress por meio de sua Assessoria de Comunicação, a SEPPIR diz ter proposto à Funarte “uma reunião de trabalho para tratar das questões levantadas e está aguardando a definição de uma data.”

Na Nota, a ministra chefe Luiza Bairros acrescenta que a SEPPIR é parceira da Funarte no Prêmio (responsável pela indicação de 6 dos 12 jurados da banca julgadora), e enfatiza "a importância do caráter histórico do edital da premiação, o que justifica o acompanhamento e rigorosa apuração de todas as etapas do processo”. No total serão distribuídos R$ 4,3 milhões em prêmios aos vencedores em várias áreas.

Cartas marcadas?

Os indícios de irregularidades foram levantadas pelo ativista cultural Antonio José do Espírito Santo, conhecido no mundo artístico e no movimento negro como Spirito Santo. Ele apontou como evidência de que a premiação foi dirigida o fato de os 33 ganhadores do Prêmio terem tido todos nota 100. Também indicou nomes com notórias ligações com o Governo e ou “técnicamente brancos”, como o caso da professora gaúcha Michele Zgiet – cujo projeto ganhador leva o nome de “Casa Grande” – e até de um membro do Coletivo Fora do Eixo, do Pará, Samir Raoni, que nada teria a ver com os critérios propostos no edital.

Zgiet reagiu furiosa às denúncias e, além de ter tentado desqualificar o denunciante, iniciou uma campanha de rua em Porto Alegre, em que tenta desmoralizar a exigência do quesito cor adotada pelo IBGE e pelo Edital do Prêmio.

Escândalo

Nesta sexta-feira (20/09), a cineasta e produtora Sabrina Fidalgo (foto) se disse escandalizada com os critérios adotados pela banca julgadora. “O meu projeto é lindo e teve todo o mérito para receber uma ótima nota técnicamente falando. Isso sem contar com a questão da relevância cultural, pois se trata da recuperação do acervo do primeiro dramaturgo negro do Brasil”, afirmou, Sabrina, referindo-se ao seu pai, Ubirajara Fidalgo, já morto”, afirmou. (Veja o dossiê completo em http://spiritosanto.wordpress.com/).

O projeto, segundo Sabrina teve 5,9 de nota, o que fez com que ela recorresse no prazo e ainda aguarda uma posição por parte da direção da Funarte.

Na tarde de quarta-feira, a Assessora de Comunicação da autarquia vinculada ao MinC, Camilla Pereira, enviou e-mail a Afropress prometendo que até ontem quinta-feira, haveria uma manifestação sobre as denúncias, o que ainda não ocorreu.

Leia, na íntegra a Nota da SEPPIR, enviada pelo Assessor de Comunicação Sandro Lobo.

 Prezado Dojival

Segue resposta à sua solicitação.

Nota da SEPPIR

Em relação às denúncias sobre o processo de seleção do Prêmio Funarte de Arte Negra, a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (SEPPIR/PR) informa que já propôs à Funarte uma reunião de trabalho para tratar das questões levantadas e aguarda definição de uma data. A SEPPIR reforça a importância e o caráter histórico do edital da premiação, o que justifica o acompanhamento e rigorosa apuração de todas as etapas do processo seletivo.

 

Da Redacao