S. Paulo – Lideranças do Movimento Negro paulista reagiram nesta sexta-feira (22/06) à declarações do coordenador do Movimento Negro Unificado (MNU), em S. Paulo, Reginaldo Bispo que, na véspera, chamou o projeto do Estatuto da Igualdade Racial de “eleitoreiro” e de “gabinete”.
Preferindo não abrir polêmica, Ernesto Luiz Pereira, dirigente do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) disse que as declarações de Bispo estão na contramão do pensamento da imensa maioria do povo negro brasileiro.
“Nós do CNAB, entendemos que a aprovação do Estatuto e da Lei de Cotas, joga no sentido de dar início a uma reparação histórica de uma dívida que a sociedade brasileira tem com o negro. Portanto, o Movimento Negro Brasileiro deve se unir para combater as posições racistas ainda existentes em nossa sociedade e no Congresso Nacional”, afirmou.
Para a coordenação do Movimento Brasil Afirmativo – que puxou desde o ano passado a mobilização popular para pressionar o Congresso a votar o Estatuto – as declarações do dirigente do MNU “representam um desserviço à luta heróica de milhares de ativistas negros e anti-racistas que se mobilizam para enfrentar e derrotar a ofensiva dos neo-racistas que atacam os avanços da luta do movimento social negro por ações afirmativas e cotas”. “Estamos lutando por uma Causa que é nobre e fundamental para as próximas gerações”, afirmou Daniela Zeidan, da Coordenação de Direção do Movimento.
Por sua vez, Flávio Jorge, uma das lideranças da Coordenação Nacional das Entidades Negras (CONEN), afirmou que a discussão do Estatuto para a entidade “está ligada à luta histórica do Movimento Negro que entende que as políticas públicas devem ser uma política articulada e contínua”. “Só através dessa ação seremos capazes de reduzir a imensa dívida histórica e social que a sociedade brasileira tem com a população negra”, afirmou.
Jorge lembrou que a posição da CONEN vem sendo defendida desde julho do ano passado, quando, em documento elaborado em Salvador, a entidade deixou explícita a posição em defesa da aprovação do PL 73/99 e do Estatuto com o Fundo de Promoção da Igualdade Racial”.
A proposta do Fundo, que fazia parte do texto original do Estatuto, foi desmembrada e se tornou a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 02/2006), como estratégia adotada pelo senador Paulo Paim para conseguir apoios à tramitação do projeto do Estatuto da Igualdade.

Da Redacao