No período embrionário da formação do movimento negro – em meados da década de 70 -, e mais precisamente do MNU, o professor Eduardo de Oliveira (o poeta) fez uma observação que eu achei supra-relevante.
O pessoal reunido usava assiduamente o termo “comunidade” para designar nosso povo, e o professor Eduardo alertou: “Olha gente, nós devemos ter um certo cuidado em usar a expressão, pois, comunidade é um grupo organizado… E nós não somos organizados enquanto povo”. Houve apenas uns segundos de reflexão por parte do grupo… Que logo ignorou a observação e o termo continuou e é utilizado aleatória e indevidamente, até o dia hoje.
Outra observação, diga-se procedentíssima, que este militante, o professor Eduardo, deu foi a de que “a nossa luta era bilenar”. No que foi também olvidado. Para o negro brasileiro a discriminação começa em 1888, quando da falsa “abolição da escravatura”, hoje já desmascarada.
De fato, a nossa luta, enquanto afros-descendentes, tem início entre os séculos VIII a VI antes de Cristo. Quando, os gregos e romanos iniciam suas incursões ao Norte da África e a fazer seus primeiros prisioneiros e transformá-los em prisioneiros escravos. O que torna estes nos nossos primeiros ancestrais escravizados.
Posteriormente, já na Era Cristã, durante os séculos VIII, XI e X, vieram os povos semitas (judeus e árabes), que herdaram a prática dos gregos e romanos. Daí foram retirados mais milhões, ou talvez bilhões, através dos séculos, de africanos de suas terras, e levados para fora de seu habitat natural. Formando, desse azar, o início da diáspora negra na Europa e no Oriente Médio.
E ainda mais tarde, a partir do século XV desta nossa Era, os europeus entram na disputa, e os primeiros africanos começam a serem transladados pelo Oceano Atlântico com destino à Europa Ocidental e Açores.
Para a América, objetivamente, o tráfico tem início no século XVI. Quando os primeiros africanos aprisionados, em África, começam a ser transladados para às Américas, pelos portugueses e espanhóis… E começa a nossa particular desdita.

Neninho de Obalúwáiyé