Hortolândia/SP – O sindicalista negro e professor Carlos Alberto Vieira Soares, 43 anos (foto), presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Hortolândia, cidade da região metropolitana de Campinas a 115 Km de da de S. Paulo, denunciou estar sendo vítima de uma campanha perseguição movida pelo prefeito Angelo Perugini,do PT, que ameaça exonerá-lo por meio de um processo administrativo em que não foi ouvido.

A campanha, segundo o sindicalista, começou em maio do ano passado logo após a greve dos servidores municipais liderada por ele. A primeira reação do prefeito petista foi a instauração de uma sindicândia, em maio. "Tudo isso faz parte de um processo odioso de perseguição que pretende a desmobilização da categoria.

Tem ficado muito evidente que o fato de eu ser negro e me propor a liderar uma greve da categoria que nunca havia parado foi tomado pelo prefeito como um caso pessoal. Desde então passei a sofrer ameaças, agressões verbais,o e processo administrativo, por meio do qual a administração pretende justificar minha demissão”, afirma.

O último ato da campanha, de acordo com o sindicalista, teria sido a cassação de sua licença médica, com base em um parecer jurídico da Prefeitura e motivado por uma denúncia anônima. Para o advogado Thiago Chofhi, a cassação da licença do sindicalista foi um ato irregular e arbitrário. Ele entrou com um Mandado de Segurança com pedido de liminar para restabelecer a licença, contra a diretora Rosemary Mendes e Renato Sarto, respectivamente diretora de Benefícios e Diretor Superintendente do Hortoprev – Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Hortolândia.

O sindicalista está em tratamento de saúde, pois passou a sofrer de psicose não orgânica não especificada, além de transtornos de adaptação, problemas que teriam se agravado a partir da campanha de perseguição. A Justiça deu prazo de 10 dias para que os responsáveis pelo Hortoprev se manifestem, porém, ainda não decidiu se concede a liminar.

Prefeitura nega perseguição

A Prefeitura de Hortolândia negou que haja qualquer campanha de perseguição movida pelo prefeito contra o sindicalista. Segundo a Assessoria de Comunicação “todos os servidores são tratados com igualdade”. “Todas as denúncias referentes aos funcionários públicos são apuradas com imparcialidade por uma comissão específica e, caso seja comprovada alguma irregularidade, o servidor pode ser punido com as medidas cabíveis”, garantiu a jornalista Sandra Alyne, do Departamento de Comunicação da Prefeitura.

Na Nota enviada à Afropress, contudo, o Departamento de Comunicação, admite que “apura denúncias de má conduta em sala de aula envolvendo o sindicalista que é professor de educação infantil e está afastado por causa das atividades sindicais. Também admite que, além do processo disciplinar, o presidente do Sindicato responde a uma sindicância aberta pela Secretaria de Educação por ter realizado imagens de alunas em sala de aula sem autorização de uso de imagem.

No episódio, o sindicalista, chegou a ser levado a uma Delegacia de Polícia da cidade pela Guarda Municipal, acionada pela Prefeitura, e teve a câmera filmadora apreendida ainda não foi devolvida. A administração do prefeito petista não reconhece o Sindicato presidido por Vieira Soares.

Na Nota o Departamento de Comunicação esclarece que apenas duas entidades são consideradas legítimas representantes dos servidores: o Sindicato dos Trabalhadores da Prefeitura Municipal de Hortolândia e a Associação dos Guardas e Servidores Municipais de Hortolândia.

Da Redacao