Brasília – O Sindicato dos Bancários de Brasília, que é filiado a Central Única dos Trabalhadores (CUT), vai acionar judicialmente os principais bancos brasileiros por discriminação no mercado de trabalho. A informação é do diretor sindical e responsável nas negociações junto aos bancos, Eduardo Araújo de Souza. “Nós vamos tomar medidas judiciais em Brasília e esperamos que se ampliem para o Brasil”, afirmou à Afropress.
O anúncio acontece um dia depois do presidente da poderosa Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Murilo Portugal, abrir um Fórum sobre Diversidade, em S. Paulo, destacando como medida mais importante para a inclusão negra no mercado de trabalho, a abertura de um site na Internet com um cadastro para o qual negros interessados podem enviar currículum.
“Só arrecadar curriculum não muda nada nas relações internas de discriminação. O problema da discriminação continua”, reagiu Souza.
O site, lançado no final do mês de maio com o cadastro, foi objeto de convênio entre a Febraban e a SEPPIR (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, da Presidência da República. Afropress tentou ouvir o secretário executivo da SEPPIR, Mário Theodoro Lisboa, que participou de uma das mesas do Fórum sobre o que pensa da iniciativa, agora transformada em objeto de propaganda e marketing, porém, sua assessoria não retornou à ligação.
Discriminação explícita
Segundo Censo da própria Febraban, corroborado pelo Mapa da Diversidade – um estudo contratado junto ao Centro de Estudos das Relações Raciais e do Trabalho (CEERT), coordenado pela professora Maria Aparecida Bento (foto) – pretos e pardos, recebem, respectivamente, 64,2% e 67,6% do que recebem trabalhadores não negros. O quadro de discriminação é ainda pior no caso das mulheres.
Os bancos empregam 500 mil trabalhadores, em 157 instituições financeiras. De 2003 a 2010, os lucros dos cinco maiores – Itaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal – subiram de R$ 11,1 bilhões para 46,2 bilhões.
De acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), parte desses lucros, além das taxas de juros mantidas pelo Banco Central – as mais altas do mundo – deve-se a política de aumentos contínuos dos principais serviços, que passaram a custar até 124% a mais. As receitas com tarifas, por exemplo, segundo o IDEC subiram, em média, 30% acima da inflação.
Jogada de marketing
O mesmo estudo, que é de 2005, mas cujos dados continuam atuais, constata que a defasagem salarial não decorre de diferenças no nível de estudo, uma vez que, segundo admite a própria Febraban, quase todo o quadro de funcionários dos bancos – cerca de 90% – tem nível universitário.
Segundo o diretor do sindicato de Brasília, a idéia da nova ação contra os bancos, é ampliar as medidas visando combater a discriminação, que não podem ser combatidas apenas com “jogadas de marketing”.
Desde 2005, a partir de denúncias do advogado Humberto Adami, o Ministério Público Federal do Trabalho protocolou ações contra os cinco principais bancos de Brasília – Bradesco, Itaú, HSBC, Unibanco e ABN-Amro Real.
As ações tomadas por iniciativa do procurador Otávio Brito Lopes, foram todas arquivadas pela Justiça, sob o argumento – contestado pela Procuradoria – de que estatísticas não podem servir como meio de prova.
O diretor do Sindicato dos bancários de Brasília, acrescenta que, além das ações judiciais, desta vez ampliadas, a proposta é levar, com maior ênfase, o tema da discriminação contra negros à pauta das negociações que antecedem aos acordos coletivos de trabalho.
Ele afirmou que o tema fará parte da pauta da Conferência dos bancários que acontece no dia 30 de julho, em S. Paulo, e que abrirá as discussões visando o início das negociações coletivas marcadas para agosto. A data base da categoria é 1º de setembro.

Da Redacao