Moscou – Ataques racistas deixaram 28 mortos e 366 feridos durante o ano passado e são considerados “fora de controle” na Rússia, segundo relatório da Anistia Internacional. Este ano, novos atentados foram noticiados pela imprensa como a morte da menina Khursheda Sultonovawho, de apenas 9 anos de uma família do Tajiquistão.
A família da menina foi atacada em São Petersburgo por uma gangue. Khursheda foi esfaqueada nove vezes no peito, estômago e braços e morreu no local.
O documento da Anistia denuncia que as autoridades russas não estariam investigando nem registrando satisfatoriamente crimes motivados por questões raciais. Relatório sob o título “Federação Russa: Violência racista fora de controle” denuncia que policiais e promotores freqüentemente classificam assassinatos e agressões violentas por parte de grupos de skinheads de “hooliganismo”, ou de crimes menos graves.
“Algumas autoridades russas estão ignorando os casos. Em vez de ver só ‘holiganismo’ em ataques contra estudantes de países africanos, do sudeste asiático e de russos não eslavos da Chechênia, a polícia e os promotores russos precisam enfrentar de frente a onda crescente de violência racista”, afirma a diretora da Anistia para a Grã-Bretanha, Kate Allen.
De acordo com Allen, o governo de Vladimir Putin deveria adotar um “plano de ação” completo para combater o racismo e o anti-semitismo.
O diretor da ONG anti-racismo Europa Unida, Dimitri Kraiuhin, contou a Anistia ter recebido ameaças de “cortarem-lhe a cabeça”. Os pedidos de proteção às autoridades foram repetidamente rejeitados pelas autoridades de Orel, no oeste da Rússia.
O relatório também apresenta casos de famílias que evitam entrar em São Petersburgo por temer agressões racistas. Cidadãos russos e estrangeiros vêm realizando protestos contra os atentados e a inércia das autoridades.

Da Redacao