Brasília – Foram apenas oito, dentre os 132 ex-bolsistas, os estudantes afrodescendentes que, desde 2.002, ingressaram na carreira diplomática, com a criação do Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco – Bolsa Prêmio de Vocação para a Diplomacia – o único programa de Ação Afirmativa em vigor na Administração pública brasileira dirigida a afrodescendentes.
A informação é do próprio ministro interino das Relações Exteriores, Ruy Nunes Pinto Nogueira, em resposta ao Oficio PGR/GAB 973, de 16 de maio de 2008 referente ao Procedimento Adminisativo MPF/PGR n 1.00.000.007597/20006-61, instaurado no início deste ano pela Procuradoria Geral da República para investigar as causas da ausência de negros no Itamaraty, na Igreja Católica e nas Forças Armadas, por iniciativa do Instituto de Advocacia ambiental e Racial do Rio (IARA).
Segundo o professsor José Jorge de Carvalho, da UnB, autor do livro “Inclusão Étnica e Racial no Brasil – A questão das cotas no ensino superior -, a carreira diplomática é uma das mais refratárias à presença de negros, mesmo sendo o Brasil a segunda maior Nação negra do mundo: o Itamaraty, segundo José Jorge, conta com um corpo de cerca de 1.000 diplomatas, menos de 10 deles são negros – 99% de brancos.
Números magros
Em 2.006, por exemplo, foram aprovados apenas três ex-bolsistas, dos 6.308 candidadatos, que disputaram as 105 vagas. No concurso deste ano, em que foram disputadas 115 vagas, concluidas as duas primeiras etapas eliminatórias, sobraram 150 candidatos, dos quais quatro ex-bolsistas. “É possível, portanto, que venhamos a igualar – ou mesmo a superar – o excelente desempenho de 2.006. Como se vê, a aprovação de ex-bolsistas dá sem proporção relativamente alta se aparada ao conjunto dos candidatos”, acrescenta otimista o ministro, apesar dos números bastante magros.
O Programa do Instituto Rio Branco foi lançado no Governo Fernando Henrique, no dia 21 de março de 2002, por meio de Protocolo de Cooperação firmado entre os Ministérios das Relações Exteriores, Justiça, Cultura e Ciência e Tecnologia. Em 2.006 foram oferecidas 43 Bolsas no valor de R$ 25 mil. Em 2007, o número de Bolsas caiu para 37.
Segundo o ministro a concessão de Bolsas Prêmio de Vocacão para a Diplomacia tem melhorado de forma concreta e decisiva as condições de preparação para o Concurso de Administração à Carreira Diplomática (CACD) e por consequência as possibilidades de ingresso na Carreira de Dipomata de candidatos afrodesdencentes.
Pinto Nogueira reconhece que o modelo de provas discursivas e redação, com a necessidade de conhecimentos específicos e preparação de longo prazo muitas vezes afastam candidatos afrodescendentes em razão de limitações financeiras se vêem impossibilitados de arcar com os custos de preparação para o concurso.
Para enfrentar isso a fim de propoircionar maior igualdade de oportunidaes de acesso à Carreira e de acentuar a diversidade étnica nos quadros do Itamaraty é que foi criado o Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco”, conclui.

Da Redacao