S. Paulo – O sociólogo Luis Eduardo Soares, autor em parceria com MV Bill e Celso Athayde, do livro “Cabeça de Porco”, disse que a questão racial é o maior tabu da sociedade brasileira e o problema precisa ser enfrentado por intermédio de uma aliança o mais ampla quanto seja possível. “O racismo é o maior tabu da sociedade brasileira. O movimento de mulheres avançou, o movimento dos homossexuais avançou, o movimento dos verdes avançou, porém a questão da negritude segue sendo um tabu”, afirmou.
Soares e MV Bill estiveram em S. Paulo para lançar o livro na Universidade Zumbi dos Palmares, segunda-feira (03/10). O livro relata as experiências dos três em visitas a favelas e morros para fazer contato com pessoas envolvidas com o tráfico de drogas em nove capitais de cinco regiões do país. Bill disse que no livro adotou o método da humildade assim descrito por ele: “fechar a boca, abrir o ouvido e o coração e deixar as pessoas falarem”.
Para Soares o livro é um caleidoscópio da realidade brasileira, um esforço para humanizar pessoas que normalmente são mostradas como monstros. Para ele, a luta anti-racista não é apenas da população negra. “Se a questão racial não for enfrentada e superada, eu jamais vou poder me libertar como branco. E neste sentido a luta é minha também: eu não posso me realizar como ser humano sem a superação do racismo”, afirmou.
No debate que se seguiu, Soares, que ocupou a Secretaria de Segurança Pública no início do Governo Lula, mostrou desalento ao comentar a crise política e as perspectivas do Governo. “Eu estou pessimista. Pela intensidade da pisada que recebi, eu intuo o tamanho do monstro. Para estes companheiros não há limites”.
No debate que se seguiu com os alunos da UniPalmares – a única Universidade do País que tem 80% de alunos negros – Bil fez questão de ressaltar sua independência em relação aos grupos que se reivindicam donos da representação dos negros, ao responder a pergunta de um militante o porque não incluíra depoimentos de pessoas sem vinculação com a militância ou do Movimento Hip Hop. “Tem de botar na balança o que é o Movimento Negro. Quando fui massacrado pela mídia o Movimento Negro tornou-se Movimento Neutro. Eu não fui incentivado pelo Movimento Negro. Eles acharam que eu estava propagando o banditismo. O Movimento Hip Hop a mesma coisa. Então é isso mesmo que eu quis dizer quando convidei outras pessoas que não são do Movimento Negro para falar. Essa conversa não pode ficar presa ao Movimento Negro e ao Hip Hop”. Os depoimentos da contra capa do “Cabeça de Porco” são do jornalista, escritor e cineasta Arnaldo Jabor, da cantora Fernanda Abreu, do antropólogo Roberto da Matta, do professor da USP, Gildo Marçal Brandão e do dramaturgo, ator e escritor Domingos de Oliveira.

Da Redacao