S. Paulo – Submetida a intensa pressão e no meio de uma disputa que opõe – de um lado, o secretário de Relações Institucionais do Governo Serra, José Henrique Reis Lobo, e de outro, parte dos conselheiros que querem a renúcia coletiva do colegiado -, a presidente do Conselho da Comunidade Negra do Estado, Elisa Lucas Rodrigues, baixou ao hospital nesta quarta-feira (27/05) com crise de hipertensão.
Ela estava no Palácio quando começou a se sentir mal e foi encaminhada de lá mesmo para o Hospital Bandeirantes com a pressão medindo 13x 19 – nível considerado muito alto. Ela foi submetida a uma bateria de exames e, por recomendação dos médicos que a atenderam, suspendeu todos os compromissos até a próxima semana, inclusive a reunião extraordinária do Conselho que havia sido convocada para esta sexta-feira (29/05).
500 anos
A reunião foi solicitada por alguns conselheiros para uma tomada de posição oficial, em virtude das declarações do secretário de Relações Institucionais que, no ato de comemoração dos 25 anos do Conselho na semana passada, disse que até simpatizava com o tema das ações afirmativas, mas que considerava que só aconteceriam em 500 anos.
A posição pública, aliada a declarações recentes do governador José Serra contrárias às cotas para negros, provocaram uma crise sem precedentes no Conselho, integrado majoritariamente por negros filiados ou ligados ao PSDB. Alguns deles, como João Benício e Paulo César Pereira de Oliveira, pediram a desfiliação do Partido. Este último – presidente do Centro Cultural Orunmilá e uma das mais influentes lideranças da região de Ribeirão Preto, propôs renúncia coletiva dos 22 membros da sociedade civil. O Conselho é integrado por 33 membros, 10 dos quais indicados pelo Governo.
Operação abafa
Na tentativa de abafar a repercussão da crise – com o início da debandada de negros tucanos do Partido – o Governo Serra, por meio da área política do Palácio recomendou a Lobo moderação e cautela nas declarações. Tanto Elisa, quanto a presidente da CONE/SP, Maria Aparecida de Laia e o presidente do Tucanafro – o departamento que reúne os negros do PSDB -Carlos Augusto, foram chamados para reuniões. Elisa e Augusto mantiveram silêncio sobre o teor das conversas. Laia disse que achou infeliz a fala de Lobo, porém, considerou ter sido uma posição pontual e não do Governo. “Foi apenas isso: uma atitude infeliz, não uma fala do Governo”, afirmou.
Enquanto prosseguem as manifestações de descontentamento e indignação, alguns conselheiros – que pediram a preservação dos seus nomes – defendem abertamente a substituição de Elisa, com a eleição de um novo presidente do colegiado. Consideram que a atual presidente tem um perfil demasiado submisso ao Palácio dos Bandeirantes e não consegue se “impor mínimamente para fazer o Governo dar respostas com políticas públicas às demandas dos afro-brasileiros paulistas”.
Renúncia coletiva
Outros, querem a renúncia coletiva; e há ainda quem defenda reformas profundas, com a manutenção do Conselho, reestruturado, inclusive, quanto as funções e status dos conselheiros e a criação de uma Secretaria de Ações Afirmativas e Promoção da Igualdade, que faria o papel de órgão executivo.
Nesta quinta (28/05), a crise de hipertensão da presidente do Conselho, já havia sido controla, porém, a recomendação médica de que cancele compromissos até a próxima quinta-feira, permanece. Localizada por telefone, Elisa disse que já está bem. “Por recomendação médica preciso cuidar da saúde e parar esses dias”, afirmou.

Da Redacao