Curitiba – Apenas 370 vagas, das 822 disponíveis, foram preenchida pelos estudantes que se inscreveram no sistema de cotas para negros da Universidade Federal do Paraná (UFPR), segundo relatório divulgado pelo reitor Carlos Augusto Moreira Júnior, nesta sexta-feira (07/12). “No caso dos cotistas raciais, se queremos realmente ampliar a participação deles na Universidade precisamos seguramente aumentar o número de inscritos”, afirmou o reitor.
O caso do Paraná não é isolado. Segundo o advogado Humberto Adami, recentemente ao participar de um debate promovido pela Fundação Zumbi dos Palmares, de Campos, no Rio, foram apresentados os resultados do número de cotistas afro-descendentes na Universidade do Norte Fluminense (UENF), em que os cotistas do último vestibular não passaram de 12 estudantes.
Adami cogita algumas hipóteses, entre as quais, erro na aplicação da política de cotas e deficiência do sistema de preparação educacional municipal e estadual, e sugere uma reflexão. “Da mesma forma que vemos certificações de redes absolutamente ilusórias, em especial, quanto à Lei 10.639, talvez, mais luz e transparência no assunto, fôssem absolutamente recomendáveis. Como de hábito, as autoridades municipais, estaduais e federais não devem ter qualquer informação sobre o assunto, o que abre a porta para inúmeros especialistas”, considerou.
Para o professor Carlos Benedito, da Universidade Federal do Maranhão, os dados podem ser reflexos de algo mais grave. “Me parece que estamos transferindo para os programas de cotas, uns problemas crônicos, que se refere à má qualidade do ensino básico. A política de cotas está evidenciando isso”, concluiu.

Da Redacao