Salvador – Um fundo Internacional de Desenvolvimento Econômica para os 180 milhões de afrodescendentes que vivem nas Américas, Caribe e nos países ibero-americanos, com ênfase em ações na Educação e na Cultura, é a principal reivindicação da Carta de Salvador – o documento elaborado pelas entidades negras da sociedade civil – que participaram do Encontro Íbero-Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes – o Afro XXI -, encerrado ontem, sexta-feira (18/11).
A Carta foi entregue à Presidente Dilma Rousseff e aos chefes de Estado dos países presentes. As propostas do documento devem ser incorporadas a Declaração de Salvador, a ser assinada com os compromissos dos países para superar o racismo e a herança de séculos de discriminação e a promoção da igualdade.
Recursos
Os recursos para constituição do Fundo deverão – segundo a proposta feita – ser compartilhada entre os países membros. Também foi sugerido a criação de um Fórum Permanente de interlocução entre os governos e a comunidade afrodescendente dos países da diáspora, na estrutura da Organização das Nações Unidas.
“Esses são alguns dos itens da nossa pauta, mas nossa principal reivindicação é que as declarações e intenções aqui firmadas, e as que foram tratadas em Durban, há 10 anos, saiam do papel e se transformem em ações concretas, para que possamos celebrar, em um futuro breve, a verdadeira igualdade racial”, afirmou Epsy Campbell, representante da sociedade civil da Costa Rica, especialista em desenvolvimento social, equidade e participação política das mulheres e dos negros.
Epsy, que já foi candidata a vice-presidente da Costa Rica, foi uma das grandes estrelas do Encontro. Com intervenções incisivas e bem articuladas, chamou a atenção pelo fato de falar a partir da realidade do movimento social, contrapondo-se ao discurso padrão de algumas lideranças negras do Brasil, que se tornaram gestores públicos, que falam do tema como se fossem o próprio Estado.
“O discurso de quem fala de fora do Estado é agregador e mobilizador e propõe ação. O discurso de quem fala de dentro do Estado, como gestor, é desmobilizador, não mobiliza ninguém e acomoda a situação”, afirmou a Afropress uma participante dos debates.
Mortalidade e saúde
Um outro tema que faz parte da Carta é a preocupação dos participantes com a mortalidade da população negra, que tem um ciclo de vida menor e não tem acesso à saúde pública”. “É notório que a população negra precisa ser efetivamente incluída em um sistema de saúde eficiente, com programas especifícos que tratem as doenças que são predominantes nos negros e negras deste país”, declara Ubiraci Matildes, Técnica de Saúde da População Negra.
Durante o encontro membros da delegação chilena denunciaram que o Governo do País proibiu a inclusão do quesito cor negra no Censo de 2012, reduzindo as opções a branco e índio.
O Encontro foi iniciado na quinta-feira, dia 17, precedido de um Fórum das entidades da sociedade civil, no dia 16, no Centro de Convenções da Bahia, em Stiep, Orla de Salvador.

Da Redacao