A prisão do principal líder religioso da comunidade judaica brasileira, acusado de furto repercutiu no mundo inteiro, como era de se esperar. Sobre as razões para o ato, o próprio Sobel afirmou: “não se pode explicar o inexplicável”. Evidentemente foram suas condições de saúde – ou a falta delas – que levaram um homem conhecido pela correção a cometer um desvio dessa espécie.
É preciso que as pessoas que acompanham, há pelo menos 31 anos a vida de Sobel no Brasil, e sabem do papel que teve – junto com D. Paulo Evaristo Arns no episódio da morte sob tortura do jornalista Vladimir Herzog – fundamental para a recuperação das liberdades democráticas, tomem uma posição.
Corajosa, como foi a do Rabino quando, desafiando a ditadura responsável pela morte de Herzog sob tortura, determinou que o jornalista não fosse enterrado como suicida, pois suicida não era, como pretendiam as autoridades do regime para corroborar a versão plantada pelos verdugos.
Para nós negros, o Rabino Sobel e a comunidade que representa, foi sempre mais que um aliado, foi um amigo. Foi ele que, junto com o Pai Francelino de Shapanan, um dos mais importantes líderes religiosos de matriz-africana, morto recentemente, um dos principais responsáveis pela difusão do diálogo inter-religioso que advoga a harmonia e o entendimento entre os diferentes credos, como estratégia para a afirmação de uma cultura de paz.
Não conheço as condições de saúde do Rabino Sobel. Mas, é óbvio que está precisando de cuidados médicos e mais ainda: da solidariedade dos amigos que o admiram pela coragem naquele episódio que foi decisivo para que o Brasil superasse um tempo de terror e de trevas.
Não sou judeu. Advogo, como humanista, a paz entre judeus e palestinos que tem o direito ao seu Estado, conforme sempre defendeu corajosamente o Rabino.
Mas, um povo como o judeu, que já foi escravizado como o meu; que já sofreu o holocausto como o meu, sabe da importância dos seus verdadeiros líderes. E Sobel é um deles.
Nós, da Afropress, quando atacados por bandos nazi-racistas que, pelo terror, tentaram e ainda tentam violentar nosso direito à comunicação e à informação, tivemos da comunidade judaica sempre as primeiras e mais firmes manifestações de solidariedade.
Por tudo isso, está na hora dos que defendem a justiça, a liberdade, a democracia; enfim, os valores que nos tornam dignos da vida, se posicionarem ao lado de um homem que dedicou sua vida à Causa da Justiça.
Esse homem se chama Henry Sobel e tem a solidariedade dos jornalistas de Afropress.
Shalom, Rabino Sobel!

Dojival Vieira