Ela foi barrada por seguranças da loja sob suspeita de ter furtado um tablete de chocolates Biss -que já havia sido pago – consumido pelo filho menor que a acompanhava. Foi o menino que a alertou de que estavam sendo seguidos por seguranças até serem abordados de forma agressiva no caixa. Uma viatura da Polícia Militar foi chamada e registrou o Boletim de Ocorrência.
O fato aconteceu em novembro passado e, em dezembro, foi denunciado ao Ministério Público de Santos com o pedido de instauração de Inquérito Policial.
Solidariedade
A reunião – a segunda do Comitê Regional de Combate à Discriminação da Baixada Santista -, aconteceu nesta quinta-feira (18/02), no plenário da Câmara de Santos. O Comitê foi criado no mês passado, após denúncia veiculada por Afropress e a reunião foi coordenada pelo vereador Adilson Jr., do PT, e contou com a presença do Secretário de Defesa da Cidadania de Santos, Paulo Affonso Galati Murat Filho, da chefe da Coordenação de Políticas da População Negra do Estado, professora Roseli de Oliveira, de membros do Conselho santista da Comunidade negra, do presidente da Associação Cultural dos Afrodescendentes da Baixada Santista (Afrossan), José Ricardo dos Santos e da advogada Tatiana Evangelista da Comissão do Negro da OAB de Santos.
Também estiveram presentes ativistas da Uneafro da Baixada Santista e da Juventude Operária Católica, entidade ligada à Igreja.
A dona de casa estava acompanhada do filho menor – L.A.C., de 7 anos – e pelo advogado Dojival Vieira, que fez um relato das providência que já foram e ainda serão tomadas, inclusive, a ação por danos morais contra o Grupo Pão de Açúcar, a quem pertence o Extra.
Apoio
O advogado pediu a solidariedade e o apoio da Câmara e o vereador Adilson Jr. – o único vereador que se assume negro – disse que apresentará requerimento na primeira sessão deste ano propondo que o Legislativo se posicione.
Lideranças presentes à reunião disseram que não este não foi o primeiro caso de denúncias no Extra, envolvendo consumidores obrigados a passar por situações vexatórias e desrespeitados por seguranças. Também denunciaram a ausência de programas de acessibilidade para portadores de necessidades especiais.
Segundo Edna, depois que o seu caso se tornou pública, já foi procurada por uma conhecida que passou por humilhações ao ser barrada por seguranças por ter passado o caixa e funcionários terem esquecido de retirar o alarme de mercadorias pagas.
A professora Roseli de Oliveira, a criação do Comitê deverá servir exatamente para apoiar denúncias envolvendo casos de discriminação. Ela abraçou demoradamente a dona de casa e o filho. “Podem contar com o nosso apoio para as providências que forem necessárias”, afirmou.
Segundo o presidente da Afrossan, é muito importante que a comunidade se mobilize para pressionar a direção da empresa e que outras pessoas atingidas por essas práticas se manifestem. “Se as pessoas ficarem caladas, situações como essas continuarão se repetindo. É preciso que esse tipo de coisa não se repita”, afirmou.
José Ricardo e os demais participantes do Comitê prometeram estar presentes durante a audiência que o advogado Dojival Vieira pedirá a direção do Grupo Pão de Açúcar, a partir desta segunda-feira, para tratar do caso.

Lideranças presentes à reunião na Câmara. Foto: Edivar Gesum Ferreira