S. Paulo – “O dia do lançamento do Fórum de Mobilização pela Aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do PL Cotas 73/99 ficará em nossas memórias, pois conseguimos aglutinar vários movimentos sociais, entidades, partidos políticos, movimentos negros, para mobilizarmos toda a sociedade na luta pela aprovação desses dispositivos que favorecerão oportunidades de igualdade entre negros e brancos.” Desta forma, visivelmente emocionado, o Frei Antonio Leandro da Silva, novo diretor executivo da Educafro, abriu o ato público de lançamento do Fórum SP da Igualdade Racial, na última sexta-feira (29/06).
O Frei, que substitui Frei David à frente da organização de jovens negros que se tornou a maior rede de cursinhos pré-vestibulares do país, ressaltou que as entidades que se uniram para construir o Fórum – o Movimento Brasil Afirmativo, a própria Educafro, o Instituto do Negro Padre Batista e o Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, entre outras – não têm ilusões e também sabem que o Estatuto não resolverá todos os problemas. “Sabemos que muitos não virão conosco. Respeitamos. Reconhecemos também o esvaziamento de algumas demandas antes contidas no Estatuto, contudo, ainda assim apostamos em sua importância e eficácia para nossa comunidade afro-descendente. Por isso, não podemos perder o momento. As nossas conquistas dos últimos anos precisam ser consolidadas.”, acrescentou.
“Ademais, nós devemos pensar nas crianças de hoje que serão os jovens de amanhã. Somos éticamente responsáveis por milhões delas, que poderão nos interrogar amanhã caso não tenhamos lhes proporcionado um futuro mais justo, solidário e igualitário. Portanto, não gostaríamos que as crianças negras do futuro nos condenassem pelas querelas internas e intransigências dos nossos movimentos, cujas posturas somente impedem transformações estruturais sociais reais, desfavorecendo assim lutas conjuntas em busca da concretização de direitos fundamentais para o nosso povo afro-descendente.”, pontuou.
Frei Leandro ressaltou ainda que o “Fórum, criado no dia 14 do corrente mês, e hoje instalado, surge como uma articulação de diversos movimentos que, expurgando do seu meio o narcisismo grupal, parte de um paradigma de consenso em torno da mobilização pela aprovação do Estatuto e do PL Cotas 73/99.”
“O Fórum nasce como uma instância de legitimação de lutas de algumas entidades negras e grupos sociais, objetivando aglutinar mais forças para que juntos recolhamos 100 mil assinaturas que serão entregues, em agosto, aos deputados e senadores, como forma de pressioná-los para que tanto o Estatuto quanto o PL Cotas 73/99 sejam, o mais rápido possível, aprovados. Sem dúvida, a campanha nas ruas levará as pessoas a se posicionarem contra ou a favor desses instrumentos de combate ao racismo e às desigualdades raciais e sociais.”, concluiu, antes de passar a palavra ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, representando a Coordenação do Movimento Brasil Afirmativo.
Veja, na íntegra, o discurso de abertura do Fórum feito por Frei Antonio Leandro da Silva.
Boa Noite! A todos e a todas. Bem-vindos (as) ao lançamento do Fórum de Mobilização pela Aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do PL Cotas 73/99
Permitam-me iniciar esta fala dizendo duas coisas: primeira, este é um momento místico. Mas por que místico? Porque demonstramos que temos a capacidade de nos comovermos diante da situação em que vivemos enquanto afro-descendentes, formando uma corrente de forças advindas dos mais diferentes segmentos da sociedade, para cumprirmos nossa missão de cidadãos e cidadãs: combater o racismo, corrigir as desigualdades de raça e gênero e promover a igualdade racial entre nós brasileiros (as). Segundo, gostaria de citar um pensamento do astrofísico americano, Hubert Reeves, quando diz: “Todo ser humano, em sua efetiva atividade, pequena ou grande, pode ser um artesão do oitavo dia”. Este artesão do oitavo dia é você que se encontra aqui, somando conosco na luta e mobilização pela aprovação do Estatuto da Igualdade e Racial e do PL Cotas 73/99. Este artesão do oitavo dia é você imbuído (a) da ética de resistência às desigualdades de raça e gênero que se reproduzem no tecido social brasileiro.
O dia do lançamento do Fórum de Mobilização pela Aprovação do Estatuto da Igualdade Racial e do PL Cotas 73/99 ficará em nossas memórias, pois conseguimos aglutinar vários movimentos sociais, entidades, partidos políticos, movimentos negros, para mobilizarmos toda a sociedade na luta pela aprovação desses dispositivos que favorecerão oportunidades de igualdade entre negros e brancos. Sabemos que muitos não virão conosco. Respeitamos. Reconhecemos também o esvaziamento de algumas demandas antes contidas no Estatuto, contudo, ainda assim apostamos em sua importância e eficácia para nossa comunidade afro-descendente. Por isso, não podemos perder o momento. As nossas conquistas dos últimos anos precisam ser consolidadas. Ademias, nós devemos pensar nas crianças de hoje que serão os jovens de amanhã. Somos eticamente responsáveis por milhões delas, que poderão nos interrogar amanhã caso não tenhamos lhes proporcionado um futuro mais justo, solidário e igualitário. Portanto, não gostaríamos que as crianças negras do futuro nos condenassem pelas querelas internas e intransigências dos nossos movimentos, cujas posturas somente impedem transformações estruturais sociais reais, desfavorecendo assim lutas conjuntas em busca da concretização de direitos fundamentais para o nosso povo afro-descendente.
Portanto, o Fórum, criado no dia 14 do corrente mês, e hoje instalado, surge como uma articulação de diversos movimentos que, expurgando do seu meio o narcisismo grupal, parte de um paradigma de consenso em torno da mobilização pela aprovação do Estatuto e do PL Cotas 73/99. O Fórum nasce como uma instância de legitimação de lutas de algumas entidades negras e grupos sociais, objetivando aglutinar mais forças para que juntos recolhamos 100 mil assinaturas que serão entregues, em agosto, aos deputados e senadores, como forma de pressioná-los para que tanto o Estatuto quanto a PL Cotas 73/99 sejam, o mais rápido possível, aprovadas. Sem dúvida, a campanha nas ruas levará as pessoas a se posicionarem contra ou a favor desses instrumentos de combate ao racismo e às desigualdades raciais e sociais. Assim, abro espaço para que os representantes dos movimentos e entidades se manifestem. Em seguida, os convidados (as) farão suas saudações. Comecemos, portanto, pelo representante do Afropress, Dojival.
São Paulo, 29 de junho de 2007.
Frei Leandro, OFM.

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