Diria Freud: às vezes comer uma banana significa apenas comer uma banana. Daniel Alves foi além disso. Não teorizou, não xingou, não queimou ônibus. Demonstrou o que achava de uma maneira simples: descascou o racismo, mastigou e engoliu. O resultado da digestão representará o racista no vaso sanitário.

A discriminação racial está perdendo espaço. Antes ficava imune, hoje a resposta é forte. A cada dia mais pessoas, famosas ou não, manifestam sua indignação. Os energúmenos vão ficando acuados. Eles são muitos, poderão não mudar de opinião, mas com o tempo terão menos espaço para expor sua estupidez.

Os negros estão cansados de serem confundidos com marginais, não querem mais ser encaminhados para o elevador de serviço, querem ter os mesmos direitos de qualquer outro cidadão. E isso vale para mestiços, nordestinos, índios, pobres e demais grupos étnicos ou sociais vistos como inferiores.

Já foi mais fácil ser escroto. É bom para o mundo que seja mais difícil.

Hélio de la Peña