S. Paulo – Com a presença de 515 delegados da sociedade civil e representantes do Poder Público, S. Paulo abre na próxima sexta-feira, (23/agosto), no auditório do Expo Center Norte, na Vila Guilherme, Zona Norte de S. Paulo, a maior Conferência de Promoção da Igualdade do país, e que deverá eleger 105 delegados para a III Conferência Nacional, convocada pelo Governo Federal, que acontecerá entre os dias 5 e 7 de novembro, em Brasília.

A Conferência Estadual, que prossegue até domingo (25/08) foi precedida de 18 Conferências Regionais, nas principais regiões do Estado e, segundo a presidente da Comissão Organizadora, professora Elisa Lucas Rodrigues, deverá “ser um espaço para novas concepções e também para avançar na conquista, principalmente, de espaços de poder para as populações negra e indígena” do Estado de S. Paulo.

A Comissão é formada por 11 membros do Governo do Estado e 10 representantes da sociedade civil. Todas as correntes políticas e partidárias do movimento negro paulista estão representadas, inclusive, as vinculadas aos Partidos que fazem oposição ao governo estadual: a UNEGRO (União de Negros pela Igualdade), ligada ao PC do B, a CONEN (Coordenação Nacional de Entidades Negras), ligada ao PT, e o Círculo Palmarino, a corrente de negros ligados ao PSOL. Também fazem parte da Comissão representantes do Movimento Negro Unificado (MNU), dos Agentes Pastorais Negros (APNs), do Congresso Nacional Afro-Brasileiro (CNAB) e das centrais sindicais.

Sem partidos

“O racismo restringe o pleno exercício da cidadania. Cabe a nós, poder público e sociedade civil abrir mais espaço para a discussão do problema e também nos compete a adoção de medidas efetivas para sua erradicação. Não é tarefa fácil. Mas se esquecermos todas as nossas divisões de credo, de partido e de qualquer outra ordem, teremos êxito nessa missão”, afirma Elisa.

As divisões deverão aparecer fortemente no discurso, especialmente de lideranças da UNEGRO e da CONEN, articulações ligadas aos partidos – PT e PC do B – que fazem oposição ao governador Geraldo Alckmin.

Porém, ao contrário, da Conferência, que aconteceu há cinco anos, desta vez, a expectativa é de que a disputa partidária perca espaço, principalmente pela força de delegados, na sua maioria do interior, que rejeitam a transformação do encontro em palco da disputa partidária.

Críticas

Para Elisa as críticas de que as propostas aprovadas nas Conferências anteriores ficaram no papel “mostram que temos de trabalhar mais”. “As críticas nos mostram que temos que avançar e trabalhar mais. E acredito que uma das respostas mais fortes ao processo da II Conferência foi a criação da Coordenadoria de Políticas para a População Negra e Indígena em 2009, ou seja, no mesmo ano da Conferência", acrescentou.

Ela destacou o apoio da secretária Eloisa Arruda nos preparativos e também lembrou as ações que o Estado vem adotando como os convênios com a Secretaria de Segurança Pública que prevêem a realização de 18 seminários visando sensibilizar a Polícia para mudanças de abordagem no trato da questão racial. “Estamos dialogando com a Polícia Civil para falar dessa relação tão delicada, que é a relação da Polícia com a população negra. Ao mesmo tempo estamos em parceria com a Secretaria de Saúde realizando todas as quartas-feira, a partir de 07 de agosto uma formação sobre "Saúde da população negra" para coordenadores, presidentes de Conselhos, funcionários das Re gionais de saúde. Essa formação orienta sobre quais são as reivindicações que se tem que fazer. Muitos ativistas não tem idéia do que o Estado de S. Paulo já faz nesse sentido", enfatizou.

Elisa citou também como avanço a Lei 14187/2010 que pune administrativamente crimes de discriminação e racismo. "Temos mais de 1.200 pontos de acolha de denúncias, que conseguimos através de parcerias com as Prefeituras, OAB, Procon, Itesp etc. Sabemos que temos muito a fazer ainda. A própria Lei 14187/2010 precisa ser aperfeiçoada", ressalta.

Delegados

Os 515 delegados começam a chegar a S. Paulo na sexta-feira pela manhã e os do interior terão hospedagem e alimentação por conta do Estado. Também haverá transporte do Terminal Tietê até o Expo Center Norte.

Elisa encara com naturalidade as críticas que deverão acontecer nos debates sobre o fato da maioria das propostas das conferências anteriores não terem se tornado realidade. “Sem dúvida deverá haver uma avaliação das propostas da Conferência anterior que foram efetivadas. O próprio nome diz "conferir" o que foi e o que não foi feito. Temos que ouvir e aceitar as críticas, no sentido de entender que, como servidores públicos estamos nesse espaço para ouvir, entender e trabalhar muito, especialmente para os grupos historicamente excluídos", conclui.

 

 

Da Redacao