S. Paulo – O jornalista Henrique Antunes Cunha, militante histórico do Movimento Negro de S. Paulo, faleceu na tarde desta terça-feira, (05/12), no Hospital do Servidor Público Estadual.
Henrique Cunha tinha 98 anos e morreu de insuficiência respiratória. Ele foi um dos fundadores do Clarim da Alvorada, um dos principais jornais negros de S. Paulo, entre 1.924 e 1.935. Cunha também militou por um tempo na Frente Negra Brasileira, porém, não chegou a ser dirigente da organização, fechada em 1.937 pelo Estado Novo.
Foi também fundador da Associação Cultural do Negro em S. Paulo, entidade fundada em 1.952 e que resistiu até 1.968. Ele deixa viúva dona Eunice de Paula Cunha e um único filho – o historiador negro e acadêmico da Universidade Federal do Ceará, Henrique Cunha Jr., um dos mais destacados teóricos do movimento negro brasileiro.
No velório de Cunha, Henrique Jr. lembrou o papel do pai. “Ele foi um militante que atravessou o século e ajudou a formar boa parte da militância do movimento negro paulista”, recordou. Cunha Jr. acrescentou ainda que o pai foi citado em um grande número de teses sobre a questão negra publicadas nos Estados Unidos e no Brasil. O sociólogo Florestan Fernandes, por exemplo, em sua tese “A Integração do Negro na sociedade de classes” faz uma menção especial a ele.
Na semana passada, o militante negro recebeu a última homenagem em vida, quando o deputado Simão Pedro o indicou para o prêmio Zumbi dos Palmares como parte das festividades da V Semana da Cultura Negra da Assembléia Legislativa, porém, não pôde comparecer a cerimônia porque já estava internado.
O enterro de Henrique Cunha aconteceu nesta quarta-feira, (06/12), às 10h, no Cemitério Jardim da Colina, em S. Bernardo, no Grande ABC.

Da Redacao