S. Paulo – A criação de uma Secretaria de Promoção da Igualdade Racial no Estado e a adoção de cotas no serviço público estadual, foram as principais propostas aprovadas pelos 510 delegados presentes à III Conferência de Promoçao da Igualdade Racial, que terminou neste domingo (25/08) no Centro de Convenções do Expo Center Norte, Zona Norte de S. Paulo.



 


A Conferência foi marcada por incidentes, disputa política entre correntes do movimento negro alinhadas ao Governo do PSDB e ligadas a partidos que fazem oposição ao governo estadual, como a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO), respectivamente, vinculadas ao PT e ao PC do B. Desvinculada das correntes partidárias uma parte dos delegados – em especial, do interior – teve papel ativo nos debates.


 


No sábado (24/08), um incidente assustou os delegados. O militante da UNEGRO de Santos, João Roberto de Jesus Filho sofreu um infarto e teve de ser removido ao Hospital Dante Pazanese, onde permanece internado. Seu estado é estável, segundo os médicos, mas ainda não tem previsão de alta.


 



Vaias


 


Na abertura, na sexta-feira (23/08), com a presença da ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, do secretário municipal da Igualdade Racial, José de Paula Neto, Netinho, uma parte da platéia vaiou os representantes do Governo do Estado – a professora Elisa Lucas Rodrigues e o presidente do Conselho Estadual de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, Marco Antonio Zito Alvarenga. No meio das vaias e do tumulto, uma parte da plenária também aplaudiu Elisa.


 

As vaias causaram mal-estar na mesa que também teve a participação do professor Hélio Santos, convidado por ser a principal liderança negra tucana em S. Paulo, e da deputada estadual do PC do B, Leci Brandão.

Segundo Elisa, o protesto teria partido de delegados de Osasco e de Guarulhos, descontentes por não terem tido autorização de hospedagem bancada pelo Estado, como ocorreu com as delegações que vieram do interior.

"Por decisão da Comissão Organizadora a hospedagem foi garantida aos delegados do interior. Entendeu-se que não cabia a delegados que moram na Grande S. Paulo como, por exemplo, os de Osasco e de Guarulhos, que são cidades vizinhas ao local do evento", justificou Elisa, acrescentando ter sido essa uma decisão unânime da Comissão Organizadora integrada por todas as correntes políticas do movimento negro, inclusive, pela CONEN e pela UNEGRO. Elisa considerou a atitude “uma deslealdade”.


Ausência


Segundo delegados presentes, porém, as vaias aos representantes do Estado, fizeram parte de uma espécie de desagravo articulado pela CONEN e pela UNEGRO pelo fato de, nem o governador Geraldo Alckmin, nem a secretária da Justiça, Eloísa Arruda, terem comparecido a solenidade de abertura da Conferência.



As disputas acirradas – inclusive entre as correntes partidárias do movimento negro – abriram espaço para um maior protagonismo das delegações do interior, segundo observadores da Conferência.


Na Conferência, foram eleitos 63 delegados da sociedade civil, 31 do poder público municipal e 11 delegados representando o poder público estadual. Os eleitos participarão da III Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial convocada para novembro, em Brasília. Com 105 delegados, S. Paulo tem o maior número de delegados do país por ser o Estado com maior população negra em números absolutos.


“Eu entendo que demos um salto, a questão racial está colocada na pauta”, disse Elisa, destacando o exemplo da atuação dos delegados do interior que “não se deixaram cooptar por partidos”.

Da Redacao