S. Paulo – A São Paulo Fashion Week – o maior evento de moda do país – terá, pelo menos, 10% de modelos negros nas passarelas este ano. Foi o que ficou acertado no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), assinado entre a empresa Luminosidade Marketing & Produções Ltda, que coordena os desfiles da SPFW e o Ministério Público de S. Paulo.
A multa prevista caso o acordo não seja cumprido será de R$ 250 mil. A empresa organizadora também se comprometeu a comunicar a todas as marcas participantes do evento a inclusão de afrodescendentes, com antecedência mínima de 15 dias a cada edição.
Inquérito Civil
O acordo entre os organizadores da SPFW e o Ministério Público de S. Paulo foi o resultado do inquérito civil instaurado pelo Grupo de Atuação Especial de Inclusão Social (Gaeis) no ano passado, quando o percentual de modelos negros no evento não chegou a 3%, embora o tema dos desfiles tenha sido Diversidade, o que gerou denúncias da prática de racismo pelas grifes.
No documento assinado, os organizadores da São Paulo Fashion Week também se comprometem a encaminhar ao Ministério Público no prazo de 30 dias após cada edição, durante os próximos dois anos, a comprovação do cumprimento da cláusula. “Não se trata de querer impor uma cota racial, mas de promover a inclusão social nesse segmento”, ressalta a promotora de Justiça e coordenadora do Grupo, Deborah Affonso.
Segundo a promotora, na hipótese de impossibilidade de cumprimento da recomendação, a grife poderá apresentar justificativa, que será analisada pelo Ministério Público. A adoção de cotas no desfile animou a modelo negra, Juliana Nepomuceno, que embora com apenas 18 anos, já tem no currículo campanhas na Ásia e na Europa. “O preconceito existe em todo lugar, mas é no meu País, marcado pelas diferenças, que eu encontro mais dificuldade para trabalhar”, diz.

Da Redacao