Salvador – Por que a Bahia, Estado em que a esmagadora maioria da população é negra (cerca de 80%), jamais elegeu governadores ou senadores negros? A pergunta vem sendo o mote usado pelo cineasta norte-americano Spike Lee, que está na Bahia para gravar entrevistas para o seu documentário “Go, Brasil, Go”.

Entrevistados, como o vereador Silvio Humberto, fundador do Instituto Steve Biko, eleito pelo PT nas eleições municipais do ano passado, respondem a pergunta com a constatação embutida na própria pergunta: “Ele achou absurdo o fato da diversidade racial do Brasil não se refletir também nas estruturas de poder. Isso mostra um racismo estrutural na sociedade brasileira", afirmou.

O filme de Spike Lee, diretor do Faça a Coisa Certa, entre outros, discute a questão racial no Brasil. Lee já gravou com o senador Paulo Paim, com a ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, com Gilberto Gil. O cineasta quer incluí-lo no Festival de Cannes, na França, no ano que vem.

Entrevistas

Na Bahia, a lista de entrevistados inclui a cantora Margareth Menezes, o diretor do Olodum, João Jorge Rodrigues, Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e o governador e prefeito, respectivamente, Jacques Wagner (PT) e ACM Neto (DEM).

Depois de 40 minutos de conversa esta semana, o novo prefeito de Salvador, ACM Neto, do DEM, comentou:"O documentário vem em boa hora porque vai mostrar um problema que existe, mas vai mostrar também que existem providências que estão sendo adotadas pela prefeitura e pelo governo. Mostramos que esta é uma questão cada vez mais tratada com seriedade", disse.

Para o vereador Silvio Humberto, o carnaval da Bahia reflete uma divisão racial e de classes: "O Carnaval é um reflexo do que temos na sociedade. Os brancos ficam em cima, nos seus camarotes ou protegidos pelos blocos e os negros ficam embaixo, segurando as cordas", constata.

 

Da Redação: com informações do Jornal A Tarde, de Salvador