Brasília – Uma semana depois do atentado, enquanto os suspeitos – como o estudante de engenharia florestal Wagner Guimarães – dá entrevistas à mídia, os estudantes africanos, vítimas do ataque racista estão praticamente escondidos em um hotel da Asa Norte, cujo nome continua incógnito por razões de segurança.
Nesta quarta-feira, o delegado que dirige o inquérito, Francisco Serra Azul, da Polícia Federal, ouvirá novos depoimentos de testemunhas, entre os quais, o do estudante Adilson Fernandes Indi, da Guiné Bissau.
Indi deverá confirmar os depoimentos de colegas já ouvidos pela Polícia Federal que apontam, entre os suspeitos, além do próprio Guimarães, que nega participação no crime, dois outros vizinhos da Casa do Estudante Universitário, de nome Roosevelt e Francisco. A Polícia também ouvirá o depoimento de Samory de Souza, outro estudante africano, morador do apartamento 106, também atacado.
Nesta terça, o grupo de 16 estudantes, entre as quais cinco mulheres, recebeu a informação de que deve retornar aos alojamentos, a partir desta quarta-feira. O clima, porém, ainda é de medo e eles evitam sair às ruas de Brasília sozinhos. Segundo Indi, principalmente, as mulheres são as mais assustadas.
“Ficamos traumatizados com a situação. Não temos mais tranqüilidade para andar por aqui. Só andamos em grupo com medo de sermos agredidos. Estamos abalados psicologicamente. Não temos conseguido assistir as aulas, dormir e nem estudar direito”, afirma o grupo.
Punição
Ao contrário do reitor Timothy Mulholland, que adotou a linha de abafar a conotação racista do atentado, com a ajuda de políticos, da Polícia e da própria mídia, o vice-reitor da Universidade, Edgar Mamya, admitiu que não é a primeira vez que a UnB tem problemas com racismo. “Já tivemos algumas manifestações infelizes dentro do Campos feitas por alguns grupos, mas nunca nada parecido com o que ocorreu agora”, afirmou.
Mamya disse que o atentado foi um ato de covardia e garantiu que, se comprovado o envolvimento de alunos da Universidade, eles deverão ser expulsos.
Esta semana, o Núcleo de Enfrentamento da Discriminação, do Ministério Público de Brasília e Territórios, chamou o caso para si. Segundo a promotora, Laís Cerqueira, coordenadora do NED, a decisão foi tomada em virtude das Polícias Federal e Civil estarem tentando descartar a conotação racial do crime, o que poderá comprometer as investigações. O Ministério Público Federal também deverá entrar no caso.

Da Redacao