S. Paulo – Ativistas e lideranças do Movimento Brasil Afirmativo, reunidas neste sábado (15/12) no Aristocrata Clube, para avaliar a Parada Negra e a agenda de atividades para 2.008, deliberaram suspender a participação no Congresso de Negros e Negras (CONNEB), que está sendo dirigido pelo Movimento Negro Unificado (MNU), Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) e UNEGRO – União dos Negros pela Igualdade. A manutenção da decisão será avaliada em Seminário já marcado para o dia 16 de fevereiro de 2.008.
A decisão foi provocada pela indignação dos ativistas diante das demonstrações de truculência dos dirigentes dessas três organizações durante as manifestações do 20 de Novembro, quando foram realizadas a Parada Negra e a IV Marcha da Consciência na Avenida Paulista. A Afropress procurou Flávio Jorge, da CONEN, Edson França, da Unegro, e Milton Barbosa do MNU, para falar sobre o caso, porém, nenhum dos três foi localizado.
As três entidades, que controlam a Coordenação Política do Congresso, realizaram a IV Marcha com estrutura bancada pela Prefeitura, por meio de acordo mediado pela vereadora Claudete Alves, do PT, e excluíram a participação de todos os que discordaram de sua orientação. A condição para subir ao trio elétrico fornecido pela Prefeitura era estar vestido com as camisetas fornecidas pela organização da IV Marcha. Até mesmo lideranças evangélicas do Movimento Brasil Afirmativo foram coagidas a tirarem as camisetas da Parada Negra como condição para subirem ao trio elétrico, o que acabou provocando constrangimentos.
“Nossa posição, aprovada por todas as pessoas presentes, é para mostrar a nossa indignação e para dizer a esses supostos “donos” do Movimento Negro, que não conseguirão o que pretendem. Por outro lado, não há nenhum sentido em participar de uma Coordenação Política de um Congresso, controlado por essas organizações, que não demonstram nenhum respeito e tem maltratado sistematicamente a quem não reza pela sua cartilha “, afirmou João Bosco Coelho, da Coordenação do Movimento Brasil Afirmativo.
Com a decisão, não haverá participação em nenhuma reunião da Coordenação, nem nas Assembléias convocadas, incluindo a prevista para janeiro, em Porto Alegre. “Vamos discutir se vale à pena continuar participando de um processo viciado e que, até agora, mais contribuiu para desunir o povo negro, do que para nossa união”, acrescenta Coelho.
Na reunião, além da realização do Seminário que deverá discutir a Agenda do Ano e o modelo de organização do Movimento Brasil Afirmativo, bem como o Congresso que será realizado no primeiro semestre, também ficou decidida a intensificação da mobilização em defesa do Estatuto da Igualdade Racial e, em especial, na III Jornada de Luta que deverá ser lançada em janeiro pela nova coordenação do Fórum, liderada pelo presidente da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da OAB/SP, Marco Antonio Zito Alvarenga.

Da Redacao