Esmeraldo Tarquínio (1927-1982) não foi apenas o político de origem popular mais importante de Santos (SP) no século 20. Representou, também, a liderança política negra de maior expressão do Estado de São Paulo.

Adversário firme da ditadura pós-1964, Tarquínio motivou a comunidade negra a se organizar na redemocratização do país e alcançar políticas públicas em seu favor. Morto aos 55 anos, em decorrência de um AVC, não viu os sucessos posteriores.

Essa e outras facetas estão no livro “Tarquínio – Começar de Novo” (Editora Leopoldianum, 240 páginas), lançado em novembro no Salão Nobre da Prefeitura de Santos. O espaço leva seu nome como reparação: único negro eleito prefeito no município, em 1968, foi cassado antes da posse.

Tarquínio acreditava ter sido banido por preconceito racial, mas militares o barraram por sua ação política. Para quem tinha como lema “negro, mas não somente negro”, um duro golpe. Hoje, porém, uma involuntária homenagem a todos os negros destacados por seus méritos.

Rafael Motta