Santos – Cassado pelo regime militar por ser negro, impedido de assumir a Prefeitura de Santos, uma das mais importantes cidades do país, para a qual foi eleito em 1.968, o advogado Esmeraldo Tarquínio, tem sua vida recontada no livro “Tarquínio – Começar de novo”, do jornalista Rafael Motta.

O lançamento acontece dia 27, a partir das 18h, no salão nobre da Prefeitura, que leve o nome de Tarquínio, morto no dia 10 de novembro de 1.982, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), cinco dias antes de um retorno tido como certo à Assembléia Legislativa, nas eleições em que era candidato a deputado estadual.

Fruto de um ano e dois meses de pesquisas e entrevistas, no livro, Motta, relata a trajetória desse personagem que marcou a história da política santista e a resistência ao regime militar.

Popular entre as massas e habilidoso entre os seus pares, para o jornalista, Tarquínio era um personagem que renderia um bom longa metragem.

Quem foi

Nascido em 1927, em São Vicente, perdeu o pai aos 7 anos e começou a trabalhar aos 8. Adolescente, despontou como cantor de músicas norte-americanas em uma orquestra —modo de sobrevivência paralelo ao trabalho como despachante aduaneiro e, já adulto, enquanto advogado nesse segmento.

O início da carreira política própria foi uma evolução natural de quase 15 anos de militância, com destaque especial para o apoio permanente a Jânio Quadros – prefeito de São Paulo e, por oito meses, num tumultuado mandato, presidente da República. Tarquínio foi o candidato a vereador mais votado em seu partido, em 1959, e, três anos depois, conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo.

O Golpe de 1964 e a postura oposicionista de Tarquínio lhe trouxeram problemas. Eleito em 1968 o primeiro e único prefeito negro da história de Santos, foi cassado um mês antes de tomar posse. Antes e depois do Golpe de 1964, era vista pelo governo como fonte de “subversão”por causa da organização e da consciência política e trabalhista de seus habitantes.

Teve seus direitos políticos suspensos até 1979 – o que o transformaria no símbolo da luta para a recuperação de um direito tomado dos santistas, o de eleger diretamente seus prefeitos. Mas ele não voltaria ao cargo: morreu em 10 de novembro de 1982, em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC), a cinco dias de um retorno tido como certo à Assembleia Legislativa.

O autor

Rafael Motta, 34 anos, é jornalista, formado pela Universidade Católica de Santos (Unisantos), em 2000. Trabalha desde os 14 anos  na área de Comunicação, quando obteve seu primeiro emprego, sem registro, na Rádio Clube de Santos, em 1993. Atuou em outras emissoras de rádio, produções em vídeo para emissoras de TV locais, programas de vídeo pela internet e reportagem. 

Trabalha desde 2000 com jornalismo impresso, quando ingressou no jornal ‘Diário do Litoral’, e desde 2006 está no jornal ‘A Tribuna’, onde foi repórter, colunista político e é, atualmente, subeditor do caderno Local. 

Da Redação