Brasília – Depois de escolher por dois anos consecutivos o 20 de Novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, como dia da vacinação contra a dengue – o que motivou protestos da Marcha Zumbi + 10 na audiência com o Presidente da República no dia 16/11 – o Ministério da Saúde decidiu que o Dia Mundial contra a Aids deste ano terá como tema o racismo.
A data é comemorada em todo o mundo e o lema escolhido pelo Ministério é “Aids e racismo. O Brasil tem que viver sem preconceito”. A data será lembrada numa solenidade numa solenidade, em Brasília, em homenagem a organizações e instituições que contribuíram para reduzir o preconceito e a vulnerabilidade da população negra à epidemia.
Em todas as ruas de Brasília serão instalados estandartes e um banner de oito metros de altura no edifício da Secretaria de Promoção de Políticas de Igualdade Racial (Seppir), que fica na Esplanada dos Ministérios. A data também será lembrada em outras capitais do Brasil.
Em Salvador haverá show para 5,5 mil pessoas com objetivo de promover a inclusão racial e enfrentar a epidemia. O evento reunirá 12 artistas e dois grupos musicais na Concha Acústica de Salvador.
A solenidade do dia 1º de dezembro, em Brasília, contará com a participação do presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva, do ministro da Saúde, Saraiva Felipe, da secretária especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Matilde Ribeiro, e de militantes do movimento negro.
Na solenidade haverá a entrega de troféus a cinco organizações não-governamentais, quatro universidades, quatro ativistas (dois in memoriam) e uma coordenação estadual de DST/Aids. A primeira diretora do Programa Nacional de DST/Aids, Lair Guerra de Macedo será homenageada em reconhecimento ao pioneirismo nas ações de combate à AIDS.
A Aids foi identificada no Brasil nos primeiros anos da década de 1.980. A partir de 2.000 quando o Ministério da Saúde passou a registrar os casos de incidência de Aids por cor/raça, a composição racial da doença no país vem se alterando. Naquele ano o percentual de homens brancos representava 65,6% do total de infectados, percentual que caiu para 62% em 2.004.
No mesmo período o percentual de homens negros passou de 34,4% para 37,2%. No caso das mulheres negras a situação é pior que os homens. Em 2.000 elas representavam aproximadamente 36% dos casos. Em 2004 esse percentual passou a 42,4%, tendência registrada em todas as regiões do país.

Da Redacao