Brasília – A desembargadora da Bahia, Luislinda Valois, a primeira juíza negra do Brasil, assumirá na próxima semana, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, a antiga Seppir, nomeada pelo presidente interino Michel Temer. A escolha aconteceu na última sexta-feira e indica que, ao contrário de Lula e Dilma, que escolheram para a Seppir nomes de ativistas ligados ao movimento, Temer optou por um perfil mais profissional e com currículo e atuação reconhecidos nacionalmente.

A Seppir, que no Governo da presidente afastada, Dilma Rousseff, deixou de ter status de ministério para integrar o Ministério das Mulheres e dos Direitos Humanos, agora está subordinada ao ministério da Justiça, sob o comando de Alexandre Moraes. 

Luislinda é filiada ao PSDB, por onde disputou, sem sucesso, um mandato para deputada federal nas eleições passadas, obtendo 9.557 votos (0.14%).

Trajetória

Graduada em Direito desde 1.978, Luislinda é juíza desde 1.984 e tornou-se desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia, em 2011. Foi autora da primeira sentença de condenação por racismo, em 1993. A magistrada também tem o título de embaixadora da Paz, condecorada pela ONU em 2012. É integrante da Academia de Letras José de Alencar, de Curitiba, e autora de livros sobre a história dos negros no país.

A indicação da nova titular da Seppir foi feita por dirigentes nacionais de núcleos de promoção da igualdade racial do PMDB, PPS, PSB, PSDB e PP, partidos que fazem parte da base do governo interino Michel Temer. Segundo esses mesmos dirigentes a indicação da desembargadora baiana, Temer sinaliza que não vai retroceder nas políticas de igualdade racial.

História

Nascida em Salvador, neta de escravo, filha de um motorneiro de bonde de uma passadeira e lavadeira, Luislinda é reconhecida nacionalmente pelo movimento negro, mesmo o ligado aos partidos da base da presidente afastada Dilma Rousseff.

Em recente entrevista a uma rádio de Salvador (confira aqui e na TV Afropress – https://youtu.be/HTau7vTnWAU), a nova titular da Seppir avaliou que, passados mais de um século da abolição da escravidão, o papel do negro na sociedade tem sido insignificante: “O papel do negro é insignificante, nós só prestamos, só somos fantásticos, formidáveis, na hora de votar, também depois que votou vira lixo, e na hora de pagarmos os impostos, somos bons contribuintes. São os dois momentos em que somos realmente tratados como seres humanos, como cidadãos brasileiros. Afora isso, não”, afirmou.

Na mesma entrevista, ela também defendeu a participação negra em todos os espaços de poder e nas grandes empresas. “Eu sempre digo que nós não queremos o negro com a vassoura e o pano de chão. Mas também nós queremos o negro ocupando espaços de poder, principalmente nos três poderes da República, o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, no ápice da pirâmide e também nas multinacionais porque é muito difícil a gente encontrar um negro numa multinacional, raramente", concluiu.

 

Da Redacao