Bauru – O tenente PM Ricardo Fox, da Polícia Militar de Bauru, está sendo investigado em inquérito policial e em sindicância interna instaurada pela corporação para apurar a prática de crime de racismo praticado contra a bancária negra Marisa Teixeira de Farias.
O caso ocorreu no dia 28 de julho, por volta das 19h30, quando a bancária se encontrava no barracão da Escola de Samba Cartola, que fica às margens da Rodovia Marechal Rondon, Parque Vista Alegre. O policial, acompanhado da namorada, encontrou-se com Marisa, e na conversa informal que se seguiu a bancária fez menção a um encontro anterior que teriam tido numa boate.
“Eu não freqüento esse tipo de lugar”, teria dito o tenente para disfarçar o desconforto provocado pela presença da namorada. O tenente e a namorada se afastaram e minutos depois, o militar voltou nervoso e agarrou a bancária, que conversava socialmente com amigos, pelo braço. Dedo em riste e bastante descontrolado disparou.”Preta lazarenta, suja nojenta. Tinha que ser preta para fazer isso”, afirmou.
Depois da agressão, bastante abalada Marisa procurou a Delegacia de Polícia mais próxima – o Plantão Policial que funciona junto à Delegacia Seccional de Bauru para registrar queixa, formalizada por meio do BO 8773/2007. O caso está registrado como injúria racial, como base na Lei 7.716/80, e o inquérito tramita na Delegacia de Defesa da Mulher de Bauru.
Também a Polícia Militar de Bauru instaurou sindicância para apurar o comportamento do militar, que está a cargo do Major PM Augusto Francisco Cação. O advogado João Bráulio, membro do Conselho da Comunidade Negra de Bauru e da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios da cidade, está acompanhando o caso.

Da Redacao