S. Paulo – Começou nesta quinta-feira (16/05) e termina nesta sexta, no Fórum da Barra Funda, o julgamento dos quatro policiais militares acusados de matar o motoboy Alexandre Menezes, espancado até a morte no dia 8 de maio, véspera do dia das mães, em 2010. Carlos Magno dos Santos Diniz, Ricardo José Manso Monteiro, Márcio Barra da Rocha e Alex Sandro Soares Machado, foram denunciados pelo Ministério Público pelos crimes de homicídio triplamente qualificado pelo motivo torpe, meio cruel pela asfixia e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Também respondem pelo crime de fraude processual por terem plantado uma arma de fogo na cena do crime, para simular que Alexandre estaria armado.

Os quatro, que respondem em liberdade, podem ser condenados a penas superiores a 30 anos de reclusão. A mãe do motoboy, Maria aparecida de Oliveira Menezes, foi ouvida pelo Tribunal do Júri e respondeu as perguntas do promotor do caso Fernando César Bolt.

“Foi como se tudo tivesse voltado a acontecer novamente. Contei aos jurados tudo o que aconteceu e eu presenciei. Minha expectativa é de que todos sejam condenados. É de que seja feita justiça”, disse a mãe do motoboy, em entrevista à Afropress.

Segundo dona Cida, como é conhecida (na foto ao lado com a nora e com o neto), a perda do filho à época com 25 anos, nunca será reparada. “É um vazio. A dor da saudade é pior do que a dor de entrerrar um filho. Prá mim o Dia das Mães não é mais Dia das Mães porque num dia das Mães eu estava enterrando meu filho”, acrescentou. Alexandre deixou um filho de 6 anos – Thiago -, que é criado por dona Cida e por Flaviana, mãe do garoto.

Barbárie

O assassinato do motoboy aconteceu na madrugada de 8 de maio de 2010, quando ele voltava prá casa após terminar o trabalho de entregador de pizza. Alexandre, de acordo com dona Cida, deixou a pizzaria por volta das 2h da madrugada e seguiu para a casa de um primo. Na volta, a 200 metros de onde morava, na rua Guiomar Branco da Silva, Cidade Ademar, Zona sul de S. Paulo, foi abordado por policiais porque a moto que usava estava sem placa. Na verdade, segundo dona Cida, a moto era nova e o emplacamento já estava marcado para a semana seguinte.

De acordo com testemunhas, o motoboy teria ignorado o alerta e conseguiu chegar até a frente da casa, onde foi alcançado pelos policiais espancado a socos e pontapés e asfixiado na presença da mãe, que desesperada perguntava porque estavam fazendo aquilo. O rapaz ainda chegou a ser encaminhado ao Hospital Sabóia, mas já chegou morto.

Por que?

Durante o depoimento ao Tribunal do Júri, dona Cida se emociou ao lembrar o assassinato do filho. Ela disse a Afropress que ainda tenta entender as razões de tanta brutalidade. “Eu ainda hoje me pergunto porque eles fizeram aquilo com meu filho”, afirma, acrescentando esperar Justiça.

O caso teve enorme repercussão na mídia e o Governo do Estado decidiu indenizar a família do motoboy. Decreto nesse sentido foi assinado pelo então governador Alberto Goldman, autorizando o pagamento, cujos valores foram mantidos em sigilo.

Da Redacao