Brasília – Depois de 11 horas de depoimentos na sede da Polícia Federal, em Brasília, o delegado que preside o inquérito que investiga o atentado contra os estudantes africanos de Brasília, Francisco Serra Azul, disse que as investigações estão apenas no início “e é prematuro qualquer tipo de conclusão”.
No total foram ouvidas, das 09h às 19h, nesta sexta-feira, oito testemunhas, cujos nomes Serra Azul, recusou-se a fornecer. A Afropress apurou que, das oito testemunhas, apenas uma fazia parte do grupo de estudantes atacados por racistas na Casa do Estudante Universitário da UnB, na madrugada de quarta-feira, 28/03: o estudante Gaudêncio Pedro da Costa, da Guiné Bissau, do Curso de Sociologia.
Desde o atentado, os africanos estão recolhidos a um hotel na Asa Norte, cujo nome foi mantido em sigilo, por razões de segurança. A estadia foi assumida pelo reitor da UnB, Timothy Mullholland, não se sabe até quando.
Segundo a Assessoria de Imprensa da Polícia Federal, o delegado não autorizou a divulgação dos nomes das testemunhas ouvidas – entre as quais podem estar os três suspeitos – “para que não sejam cometidas injustiças”. A Afropress também apurou que, além de Costa, foram ouvidos outros alunos que residem nos alojamentos e seguranças.
Também está sendo aguardado o resultado dos exames da perícia feita no local e o exame das impressões digitais deixadas pelos criminosos.
O próximo passo, segundo adiantou o delegado, será analisar os depoimentos, observar eventuais contradições, e definir uma linha nas investigações que ajude a identificar o responsável ou responsáveis pelo ataque aos africanos.
Silêncio na UnB
Enquanto a Polícia Federal, recusa-se a fornecer os nomes, também a Universidade de Brasília, adotou idêntico procedimento. “O caso está entregue à Polícia Federal”, afirmou a Assessoria de Imprensa.
Na Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, que através do Ouvidor Luiz Fernando Martins da Silva, encaminhou os estudantes a Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal e ao Núcleo de Enfrentamento da Discriminação do Ministério Público de Brasília, ninguém soube informar os nomes dos suspeitos envolvidos.
A Polícia, segundo apurou a Afropress, tem, pelo menos, três suspeitos de autoria e ou envolvimento direto no atentado.
Veja o vídeo do protesto dos estudantes:

http://www.youtube.com/watch?v=eF_h62P698s

Da Redacao