Londres – O jornal britânico ''The Guardian'' publicou nesta sexta-feira (16/10) uma matéria assinada por Joana Gorjão Henriques, sua colaboradora e jornalista do diário português Público, dando conta do deterioramento da saúde do ''rapper'' e ativista político angolano Luaty Beirão (foto), em greve de fome há cerca de um mês.
Com o título ''Fears for Angolan rapper on hunger strike as heath deteriorates'' (receios por ''rapper'' angolano em greve de fome enquanto a saúde deteriora), o jornal britânico recupera uma entrevista concedida pelo ativista ao jornal luso antes da sua detenção há cerca de quatro meses. 

 
Igualmente conhecido como Ikonoklasta, o ''rapper'' tem também nacionalidade portuguesa e foi detido em 20 de junho por forças de segurança angolanas, na capital, Luanda, juntamente com outros 12 ativistas políticos e dos direitos humanos acusados de prepararem uma “rebelião” e “tentativa de golpe de estado'' em Angola.
 
Como forma de protesto contra a acusação vários dos ativistas iniciaram greve de fome a 20 de setembro mas, segundo a Anistia Internacional, passadas três semanas a maioria desistiu e apenas Luaty Beirão permaneceu. 

De acordo com o ''Guardian'', o ativista vem protestanto contra o presidente José Eduardo dos Santos e o seu governo,  reivindicando uma mudança urgente no país que a 11 de novembro próximo comemora 40 anos de independência.

"Precisamos de sangue novo, idéias novas e pessoas novas com coragem para fazer coisas de forma diferente", disse. Segundo ele, o problema já está identificado: "a atual elite não tem nada mais a acrescentar, eles devem reconhecer que serviram o país, tiraram vantagem dele e agora é tempo de ceder".

Filho de um falecido político político próximo ao presidente de Angola, Beirão se distanciou do pai ao afirmar inequivocamente não ser "filho do regime". "A genética nada tem a ver com os pontos de vista que que subscrevo… e não entendo como ela me pode forçar a seguir a linha de pensamento do meu pai", explicou.

Segundo o jornal britânico, nos seus concertos, o "rapper" tem criticado frequentemente a classe política angolana, tendo sido detido várias vezes pela polícia devido às suas opiniões frontais contra o governo dirigido pelo MPLA, com José Eduardo dos Santos, há 36 anos no poder como presidente.

As últimas informações dão conta de que o ativista, de 33 anos, foi ontem transferido, "por precaução", do hospital-prisão onde estava internado desde 9 de outubro para uma clínica privada e que o mesmo não corre o risco de morrer na medida em que, apesar de entrar hoje no 26º dia de greve de fome, seu estado de saúde "continua estável".

Veja o vídeo da entrevista concedida pelo ativista Luarty Beirão ao Jornal português "O Público".

 

Da Redacao