O jornal inglês “The Guardian” acaba de repercutir uma matéria cujo titulo é The lack of black faces in the crowds shows Brazil is no true rainbow nation”, constatando que a diversidade racial existente no Brasil, não está sendo contemplada nos estádios onde a Copa do Mundo está sendo realizada.

O levantamento do “The Guardian” confirma algo que a maioria das pessoas constata de imediato, nas transmissões dos jogos pela TV.

Lamentavelmente, faz-se necessário um veículo de comunicação do exterior colocar o dedo na ferida, diante da euforia que prejudica a visão de muitos que se dizem defensores dos interesses da população que continua absurdamente sofrendo as consequências dos mais de três séculos e meio de escravidão.

Recentemente realizamos a Conferência Nacional, precedida de uma série de reuniões realizadas em Brasília.

Qual é o resultado de todo este esforço em relação aos possíveis problemas que poderiam ocorrer neste período?

Além das questões de infraestrutura, expectativas econômicas, segurança, nós debatemos o respeito à nossa cultura, a diversidade racial, o respeito ao nosso povo?

Será que a FIFA sabe que os afrodescendentes representam 55% da nação brasileira?

Será que eles sabem que somos a 2ª população negra do planeta?

Se não sabem, por quais razões não foram informados disto?

Sei que se ganharmos a disputa, tudo isso será desconsiderado. Caso alguém se lembre deste debate, irá dizer: ”Isso é coisa de neguinho descontente, vai ver que a SEPPIR não convidou ele para as reuniões…”.

Mas, e se perdermos?

Certamente iremos passar pelo processo inevitável da procura de culpados, apareceram os problemas.  A “turma do contra”, vai dizer que “nós não temos nenhuma competência”.

Agora verdadeiramente, independentemente de ganharmos ou perdermos a Copa, fica registrada a necessidade das nossas lideranças do movimento negro, buscarem as respostas necessárias.

Que não fiquemos no ostracismo, passando uma “borracha branca” em cima dos nossos problemas, fazendo de conta que está tudo bem, sob um inexistente “céu de brigadeiro”.

Que não aceitemos a condição vexatória de “tocar para os outros dançar”, como diz o ditado popular e que é mais ou menos a repetição da história que vivenciamos há mais ou menos 126 anos.

Que Zumbi dos Palmares nos inspire!

 

 

 

 

 

 

Marcos Benedito