Como parte do Projeto disputaram o 1º Torneio de Mancala, um jogo de raciocínio milenar de origem africana semelhante ao xadrez.
O projeto tem como objetivo elevar a auto-estima da criança negra, por intermédio da atividade e estudos da cultura africana e afro-brasileira e foi idealizado pelo professor Antonio Jacinto (foto ao centro), da disciplina de História. Além de atividades em grupos, durante o ano os alunos assistiram vídeos sobre a questão de gênero e de raça, entre os quais “Acorda Raimundo”, “Vista a Minha Pele”, “Kiriku e a Feiticeira”. Na última semana, a partir desta segunda-feira, haverá a apresentação para professores e funcionários do filme “Olhos Azuis”.
Os vencedores do Torneio de Mancala foram os alunos Lucas Ramos Rodrigues (1º lugar) e Robert Mota dos Santos (2º lugar), de 11 anos, ambos da 5ª série, além de Ana Caroline Silva, 12, e Willian Rodrigues Sampaio, 13, respectivamente 1ª e 2º colocado.
Como parte do projeto também foi feito um censo de raça/cor que revelou como os alunos de 5ª a 7ª série, na faixa etária de 12 anos, se percebem do ponto de vista do seu pertencimento étnico-racial. A exemplo do que acontece nos censos aplicados pelo IBGE, os alunos se vêem em variações de tom de pele que vão do branco ao “negro claro”, passando pelo “pouco negro”.
Um aluno se declarou “moreno quase escuro”; 03 “morenos claros”; 03 “pardos claro”; 01 “pardo bonito”; 01 “pouco negro”, 01 “negro claro”; além de 03 “arianos”; 01 amarelo, 01 índio; “um branco e negro”;
Segundo o professor Antonio Jacinto, a pesquisa teve como objetivo entender como os alunos se auto-declaram etnicamente. Para isso foram feitas quatro questões, entre as quais “como você se declara etnicamente”, com texto livre para que pudessem responder.
Na mesma pesquisa os alunos foram perguntados sobre a existência de racismo na Escola, com 87,60% responderam que Sim e 12,40% que Não. Também foi perguntado se já haviam se sentido alguma vez discriminados: 40,50% que Sim e 59,50% que Não; A última pergunta é se a escola trata com igualdade de condições a todos: 34,60% responderam que SIM e 65,40% que Não.
O Projeto
Durante todo o ano letivo, os alunos foram dispensados após o intervalo para que os professores, secretaria e pessoal do apoio participassem de palestras e atividades em grupo com militantes, professores de outras escolas que trabalham com a temática e acadêmicos da área.
Como parte do Projeto os alunos participaram de uma visita guiada ao Museu Afro-Brasil e realizaram uma feira cultural com exposição de trabalhos culturais e apresentações em sala de vídeo e páteo para teatro com lendas, adaptações, máscaras africanas, comidas típicas e a disputa do 1º Torneio de Mancala.
O professor Antonio Jacinto afirma que o projeto está ajudando a mudar o perfil da escola: “Podemos dizer que os verdadeiros vencedores foram todos que participaram para que a escola trabalhasse a questão racial, desde a Direção/Coordenação com os professores João Fernando, Benedita, Sueli e Fátima que deram carta “preta” para que se montasse uma equipe e está tivesse autonomia na decisão do encaminhamento do projeto”, afirmou. A professora Benedita de Freitas, da Coordenação, elogiou o projeto. “Foi muito bem trabalhado, desde o início até agora, e também muito bem aceito pelos alunos e pela comunidade. Todos se envolveram”, acrescentou.
Além de Jacinto, a equipe do Projeto é formada pelos professores Consuelo Mendes (Ling. Port.), Daniella de Andrade (Geografia) e Marcos Oliveira (Geografia), porém, ele também ressalta que todos se envolveram. “Principalmente os alunos que estão cada vez mais se colocando contrários a qualquer fala depreciativa, e respeitando inclusive as diferenças religiosa”, conclui.
Mancala
Mancala (do árabe naqaala – “mover”) é na verdade a denominação genérica de aproximadamente 200 jogos diferente. Originário da África, onde teria surgido por volta do ano 2.000 antes de Cristo (para alguns o jogo tem mais de 7.000 anos), é jogado atualmente em inúmeros países africanos, mas já extrapolou as fronteiras deste continente.
Um autor de nome De Voogt (citado por Lino de Macedo e outros, em seu livro “Aprender com Jogos” – Ed. Artmed – 2000) afirma que o jogo teria duas vertentes: uma asiática, mais simples e jogado principalmente por mulheres e crianças; e a vertente africana, com regras mais complexas e variadas, jogada principalmente por homens.
De Voogt afirma que algumas versões da mancala seriam mais complexas que o xadrez, já que se neste uma peça é movida por vez, na mancala, em todas as suas versões, são movidas diversas peças de cada vez, modificando constantemente a configuração do tabuleiro.
Trata-se de um jogo com profundas raízes filosóficas. É jogado, habitualmente, com pequenas pedras ou com sementes. A movimentação das peças tem um sentido de “semeadura” e “colheita”. Cada jogador é obrigado a recolher sementes (que neste momento não pertencem a nenhum dos jogadores), e com elas semeá-las suas casas do tabuleiro, mas também as casas do adversário. Seguindo as regras, em dado momento o jogador faz a “colheita” de sementes, que passam a ser suas. Ganha quem mais sementes tiver no final do jogo. É um jogo em que não há sorte envolvida, mas exclusivamente raciocínio lógico e matemático.
Geralmente é disputado por duas pessoas, mas existem variantes para até seis pessoas.

Antonio Jacinto (centro)