A nossa atual conjuntura oferece-nos um cenário de investida racista da elite branca no Brasil veiculada pela grande imprensa moldada pela Rede Globo e Folha de São Paulo, e seguida pelos pequenos papagaios midiáticos. Os grandes centros acadêmicos como os negrólogos da USP tem alguns de seus asseclas aqui mesmo na Província da Bahia repetindo suas sandices autorizada pelos rituais pseudocientífico que já não se agüenta mais em pé.
Dizem que queremos dividir o Brasil como se existisse alguma unidade nesse empreendimento colonial que nos despedaça as vidas. O Brasil foi construído pela violência e o confronto essa unidade nacional é uma ficção teórica alimentada para nos manter calados e caladas frente à opressão civilizaçional branca, que utiliza de seus rituais opressivos toda vez que algum oprimido sai “da zona de controle”.
Nos altos do processo político a FACOM contra Fernando Conceição, os acadêmicos dessa unidade saíram do armário e declararam sua perspectiva neocolonial racista e atrasada. Incapazes de conviverem com o dissenso, lançando mão da chibata num simples caso, na tentativa de oprimir alguém que não pensa igual. Em sua tentativa até agora frustrada de eliminar Fernando Conceição, a Congregação acadêmica da FACOM ressuscita métodos dignos de um regime de exceção e atira pela culatra, atingindo a própria calda.
De portas fechadas eles devem lamentar, como no inquérito de Pacífico Licutã, ou Bilal em 11 de fevereiro de 1835, que Fernando Conceição “preservou sua dignidade e identidade diante de si próprio, do inquisitor e de outros africanos que aguardavam” (João Reis).
Eu aguardei, até que, sem paciência, transpus os portais do santo oficio da FACOM, atravessei a sala, cumprimentei Fernando e sentei-me aguardando. Fui interpelado por um fino inquisidor que com seu ar de Inglês profundo me falou:
“Essa reunião é fechada”
“Por quê?” Retruquei sorrindo com o constrangimento de gente que se diz de esquerda, libertária, cuca fresca.
“Essa é uma reunião da Congregação da Faculdade de Comunicação”, falou depois de segundos de silêncio que invadia a sala.
“Eu sei”, respondi já abrindo meu caderno de anotações para apontar a reunião que já tinha começado.
“Você tem que sair!”. “Aqui vai ser tratado assunto que diz respeito a minha comunidade e eu represento a minha comunidade”, disse já com olhar afiado para o homem que já abria a porta.
“Mas a comunidade aqui não tem assento”, falou gaguejando o carcereiro da sala de inquisição, uma espécie de Dói-Codi com cores pastel de filme de arte.
“Te espero lá fora, Fernando”, saí completamente satisfeito com nossa posição. Eles é que tem o que esconder e nós vamos até o fim juntos. Nós, da Campanha Reaja, temos bradado pelos quatro cantos o plano deliberado de eliminação racial que está em curso: Genocídio, Grupos de extermínio, brutalidade policial: o Epistemicídio.
“Quando a policia chega para matar, nós já estamos praticamente [email protected]”. Nossa eliminação física não é o suficiente. A universidade brasileira, neocolonialista, eurocêntrica, racista não tolera ver um preto ou uma preta produzindo conhecimento e demolindo a muralha da Casa Grande, já em ruínas com sua elite encastelada vendo a insurreição chegar em suas portas fechadas.
O presidente do tribunal da FACOM disse que ali não era um tribunal. Eu discordo. Trata-se de processo calculado de nos manter passivos, calados, como para dar exemplo num cativeiro.
Quando eu saí daquela sala. Sorri para Dr. Fernando Conceição que se manteve calmo, como um revoltoso “maioral” da revolta dos Búzios ou Malês, reagindo ao epistemicídio da FACOM. Como um revoltoso do Urubu que em 1826 gritava:
“Viva negro…”.

Hamilton Borges Walê