S. Paulo – Por três votos a zero, o Tribunal de Justiça de S. Paulo reconduziu nesta terça-feira, 03/10, à Câmara de Vereadores de S. Paulo, a vereadora Claudete Alves, do PT, – a única vereadora negra da Capital – afastada desde 24 de abril deste ano. Claudete é acusada por improbidade administrativa em ação movida pelo Ministério Público.
O relator do processo, desembargador Oswaldo Magalhães, considerou que não havia razão para manter a liminar que a afastou do mandato. Derrubada a liminar o processo segue normalmente o seu curso até a sentença final. A decisão foi acompanhada pelos dois outros desembargadores da turma. O Ministério Público ainda vai recorrer da decisão ao Superior Tribunal de Justiça, em Brasília.
“Estou muito feliz. As pessoas que acreditaram em mim nunca me abandonaram. Nosso mandato está acima de qualquer suspeita. Enquanto mulher negra digo que a cidade pode voltar a se sentir representada”, foram as primeiras palavras de Claudete ao tomar conhecimento a decisão da Justiça.
Ela pretende reassumir nesta quarta-feira, 04/10, seu lugar na Câmara, para a qual foi eleita por 46 mil votos nas eleições de 2.004,e queixou-se de que no período em que ficou afastada, seu suplente Senival Moura “exonerou metade do gabinete, inclusive mulher grávida”.
Eufórica com a decisão do Tribunal, Claudete, no entanto, não esconde a mágoa pelo fato de lideranças negras de S. Paulo terem silenciado diante do seu afastamento. Citou especificamente o caso do jurista Hédio Silva Jr., candidato a deputado federal pelo PFL derrotado nas eleições do último domingo que, segundo ela, teria espalhado a informação de que tinha sido cassada.
Ouvido pela Afropress Hédio defendeu-se. “Ela está muito mal informada. Eu fiz campanha em favor do Hédio e não contra ninguém. Eu espero que ela faça um bom mandato”.
Claudete é acusada pelo Ministério Público de ter se apropriado de parte dos vencimentos dos assessores. Dos 18, segundo a denúncia, pelo menos 12 devolviam regularmente a ela parte dos vencimentos. Ela nega e diz que se trata de armação de ex-assessores inconformados por terem sido exonerados dos cargos.
“Não tive apoio de Benedita da Silva (ex-governadora do Rio, ex-senadora e ex-ministra e liderança negra do Rio) do CEERT (entidade criada por Hédio e pela professora Cida Bento), de ninguém. Mas, não tenho mágoas. Talvez estivessem preocupados com outras questões”, ironizou.
Não poupou nem a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), órgão do Governo Federal, onde, segundo disse, “houve festa pelo meu afastamento”. Mas, ressalvou ter tido apoio da executiva municipal do Partido, que reconheceu a legitimidade do seu mandato.
Por tudo isso, Claudete disse que chegou a uma conclusão. “Em S. Paulo, nós não temos Movimento Negro. Nós temos negros em movimento e os que estão em movimento estiveram do meu lado”.
Entre esses citou ativistas da Rede Educafro, o cartunista Maurício Pestana, o artista plástico Coiote, Edna Rolland, relatora da III Conferência Mundial contra o Racismo, a ex-deputada Teodosina Ribeiro, Eduardo de Oliveira, a Posse Hausa, e as Mães de Santo, Mãe Silvia e Mãe Carmen, Cosme Félix, da Federação de Umbanda, e a professora Terezinha Bernardes. Mesmo com as críticas feitas a quem se omitiu e silenciou, Claudete afirma não querer guardar mágoas. “Eu repito aquilo que eu já falei: solidariedade sai do coração. Não se cobra. Muita gente me virou às costas, mas eu continuo de braços abertos”, concluiu.

Da Redacao