Esse Plano (http://www.state.gov/p/wha/rt/japer) iniciou-se em março de 2008, quando da visita da então Secretária de Estado, Condolezza Rice, ao Brasil e pretende engajar os governos, sociedade civil e empresariado para investimentos de longo prazo na promoção da equidade racial. A administração Obama manteve o programa e apoiou a realização de dois encontros, um em Washington D.C e outro em Salvador, Bahia, todos em 2009.
O Brasil é a segunda maior população negra do mundo e a maior do hemisfério ocidental. No caso dos Estados Unidos, os afro-americanos representam 14% da população, porém sua influência cultural e política é notadamente reconhecida em todo mundo seja pela música, literatura ou movimentos como o dos Direitos Civis. Portanto, ao que parece, há muitas possibilidades de cooperação entre as duas nações.
Para chegar a esse objetivo foi criado um grupo de trabalho (steering group) que está elaborando propostas nas áreas de educação, cultura e comunicação, sistema legal, mercado de trabalho e saúde. No futuro o grupo deve incorporar temas como esportes, moradia e acesso a crédito.
Algumas ações já foram realizadas no âmbito desse programa como o intercâmbio de jovens da Universidade Zumbi dos Palmares – primeira universidade negra do Brasil – e a Xavier Universit, um histórico centro de ensino superior negro em Nova Orleans, Lousiana. Além disso, trinta jovens negros empreendedores visitaram ONGs nos EUA (http://jovensnosnegocios.blogspot.com) e na área de segurança há um projeto para treinamento de policiais para uma abordagem anti-racista, em curso, no sul do Brasil. Um edital de apoio a projetos com estimativa de 300 mil reais estava programado para o início de 2010, mas até agora não foi divulgado.
Do ponto de vista histórico, o JAPER parece ser bastante relevante, afinal as barreiras linguísticas e a distância geográfica vêm separando a diáspora africana no Brasil e nos Estados Unidos. Entretanto, é preciso que os dois governos encarem, de fato, este Plano como um projeto de longo prazo e dêem a sua devida importância política e não seja apenas mais um elemento de marketing governamental.
No exemplo brasileiro, a sensação é que muito ainda pode ser feito. A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial – SEPPIR ainda não deixou explícito quanto será investido na iniciativa e como se dará o diálogo com a sociedade civil – que de certo modo, ainda está a parte das decisões políticas do Plano. Espera-se que com a reunião de Atlanta, para a qual foram convidados movimentos sociais- com critérios definidos pelo Governo Brasileiro – temas como esses possam ser discutidos e que os movimentos sociais tenham uma voz mais ativa, afinal os governos são transitórios, mas a sociedade civil tem uma base mais sólida e constante.

Paulo Rogerio