S. Paulo – Por causa de um pedido de vistas ao processo por parte de um dos desembargadores, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região adiou o julgamento do recurso impetrado pelas Rede Record e Mulher contra a decisão da Justiça que deu direito de resposta às religiões de matriz africana, que vem sendo atacadas diariamente por bispos da Igreja Universal.
Apesar do adiamento, porém, a desembargadora Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida, presidente da Turma, já antecipou seu voto a favor do direito de resposta e contra o recurso da Record. Como são três juízes, agora basta um voto dos outros dois desembargadores.
A sessão do Tribunal em que o recurso seria julgado começou por volta das 14h e demorou menos de uma hora. No plenário sacerdotes e sacerdotisas de religiões de matriz africana, entre os quais, o Pai Francelino de Shapanan, coordenador do Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-brasileiras (INTECAB), uma das entidades que juntamente com o Ministério Público Federal e o CEERT entraram com ação contra a Record.
O direito de resposta já foi ganho em primeira instância, porém, a Rede Record, que é proprietária da Rede Mulher e pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, recorreu. Se confirmada a decisão favorável, a Record terá de exibir um programa de 01 hora durante sete dias e três chamadas em cada uma das emissoras.
O programa já foi até gravado e conta com a participação de sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana, que usaram o espaço para propor o respeito à liberdade de crença e a defesa de uma cultura de paz, que resulte no diálogo constante entre todas as religiões.
Segundo o assessor jurídico do CEERT, Daniel Teixeira, a expectativa é de que o julgamento do caso aconteça ainda este ano.

Da Redacao