Salvador – Cerca de 200 sindicalistas e convidados de todo o país estarão reunidos em Salvador, nos dias 19 e 20 deste mês, no II Seminário Nacional da Diversidade Humana, para discutir e aprovar um programa com propostas de defesa da inclusão para a população negra a ser encaminhado a presidente eleita, Dilma Rousseff, do PT.
O Seminário, promovido pela Secretaria Nacional da Diversidade, da União Geral dos Trabalhadores, a UGT – a terceira maior central sindical do país -, acontecerá no Grande Hotel Barra e é o primeiro encontro de porte após a eleição em que serão discutidas propostas de políticas públicas, de interesse da população negra, a serem enviadas a nova presidente.
Entre os palestrantes convidados para falar sobre o Estatuto da Igualdade Racial – Lei 12.228/2010 – e os seus desdobramentos futuros, estão o ex-ministro da SEPPIR e deputado federal, Edson Santos, o procurador Wilson Prudente, do Rio, e o diretor executivo do Olodum, João Jorge Rodrigues.
O jornalista e editor de Afropress, Dojival Vieira, também está entre os palestrantes, além da presidente do Instituto Sindical Interamericano para a Igualdade Racial (INSPIR), Cleonice Caetano.
Segundo, o Secretário Nacional da Diversidade Humana da UGT, Magno Lavigne, o envio do documento aprovado ao Governo Dilma será uma forma de “colaborar com a construção de políticas públicas mais apropriadas, no sentido do ajuste de contas com a herança maldita que atinge a maioria da população negra no nosso país”, afirmou.
Para Lavigne a atuação da Central, presidida por Ricardo Patah e que também dirige o Sindicato dos Comerciários de S. Paulo, desde que foi criada há três anos, tem sido de muita firmeza “na luta contra o racismo e a discriminação”. “Nossa Central não se furta a dar sua contribuição real para que o movimento sindical possa ser a cada dia mais uma ferramenta fundamental na luta contra o racismo”, acrescentou.
Lavigne disse que estão sendo convidados para a mesa de abertura todas as lideranças de entidades negras da Bahia e parlamentares negros e ou comprometidos com a defesa da igualdade, como Bira Corôa, Valmir Assunção e Luiz Alberto, todos do Partido dos Trabalhadores (PT).
Ele acrescentou que os sindicalistas presentes deverão tomar uma posição de defesa e solidariedade à líder religiosa, Bernadete Souza Ferreira, recentemente vítima de violência por parte da PM da Bahia, em Ilhéus.
No dia 20, além da aprovação da Carta de Salvador, os participantes participarão em bloco da 31ª Marcha Zumbi dos Palmares, que sai da Praça municipal do Campo Grande, às 15h. Este ano as entidades e organizadores da Marcha estão concedendo o título de Zumbi a João Cândido, o herói da Revolta da Chibata, pela passagem dos 100 anos da Revolta.
Leia, na íntegra, a entrevista do dirigente da UGT à Afropress.
Afropress – Qual a importância deste 2º Seminário que a UGT, por meio da Secretaria Nacional da Diversidade Humana, realiza em Salvador?
Magno Lavigne – Este II Seminário representa o apoio de nossa Central a luta dos negros e negras no Brasil, pois estamos dando continuidade a um processo de organização interna da UGT, criando as Secretarias Estaduais da Diversidade Humana e sensibilizando os dirigentes dos sindicatos, federações e confederações filiadas a nossa central, a incluírem nas suas pautas de convenções e acordos coletivos de trabalho artigos que ajudem na luta contra a discriminação racial no local de trabalho. Para nós esta é a importância fundamental deste evento.
Afropress – Como a central encara as perspectivas abertas pela aprovação e entrada em vigor do Estatuto da Igualdade Racial? Quais são as oportunidades e desafios?
Magno – Toda a legislação e fruto de um momento histórico, por isso achamos que o Estatuto, só pelo fato de sua existência, já é um grande progresso, pois temos um instrumento ainda que imperfeito, que reconhece o racismo e aponta caminhos para enfrentá-lo. Porém, é fundamental que a pressão continue. Precisamos incluir as cotas nas universidades e no mercado de trabalho e a questão da saúde dos negros no Estatuto
Afropress – Como essa discussão, que enfrenta temas ainda polêmicos no Brasil como o racismo e a herança dos quase 400 anos de escravismo, está sendo levada pela UGT e como o sindicalismo que a Central propõe está recepcionando esse debate?
Magno – Nós somos um central sindical pluripartidária, que defende a bandeira do sindicalismo, ético, cidadão e inovador. Portanto, a discussão sobre a maldita herança escravista em nosso sociedade é uma das primeiras lutas e uma das mais importantes lutas de nossa entidade, pois, para a construção da cidadania plena é preciso que se enterre de vez no passado as malditas marcas da escravidão.
Afropress – Qual a expectativa de participação do 2º Seminário e o que a Secretaria Nacional pretende com a realização do mesmo? Quais as perspectivas de atuação no próximo Governo?
Magno – Estimamos em cerca de 200 sindicalistas de todos os Estados e esperamos que este evento sirva para o movimento sindical ugetista se inteirar de toda a estrutura do Estatuto para que possamos utilizá-lo em nossas lutas cotidianas.
Independente da eleição para Presidente, nossa posição é de apresentar as nossas propostas do documento final do Seminário, pois assim poderemos colaborar com construção de políticas públicas mais apropriadas. E mais: pretendemos construir uma posição unitária para que no próximo congresso da UGT, que será em julho, sejam aprovadas medidas que garantam a continuidade desta luta no interior da central, aumentando a influência dos negros e negras na UGT.
Afropress Faça as considerações que julgar pertinentes.
Magno – Nestes pouco mais de três anos de fundação a UGT, através de nosso presidente Patah (Comerciários de São Paulo) tem sido muito firme na luta contra o racismo e discriminação. Este nosso II Seminário Nacional representa bem qual é a política da UGT para os negros e negras, pois a Central não se furta da dar sua contribuição real para que o movimento sindical possa ser a cada dia mais uma ferramenta fundamental na luta contra o racismo.

Da Redacao