S. Paulo – A Secretaria Nacional da Diversidade Humana, da União Geral dos Trabalhadores (UGT), protocolará na próxima semana representação no Congresso Nacional pedindo que seja aberto processo por quebra de decoro parlamentar contra o deputado Jair Bolsonaro, do PP fluminense.
No Programa CQC, da TV Bandeirantes, que foi ao ar na última segunda feira, o deputado fez declarações consideradas ofensivas à população negra brasileira, ao responder a uma pergunta da cantora e apresentadora Preta Gil.
Em Nota assinada pelo seu Secretário Nacional, Magno Lavigne, a UGT, a terceira maior central sindical brasileira – presidida por Ricardo Patah, presidente do Sindicato dos Comerciários de S. Paulo -, além de repudiar as declarações, se solidarizar com “Preta Gil, com as mulheres e com a população negra brasileira”, acusa o deputado de “ser o porta-voz da linha dura que durante o regime militar torturou, matou e sumiu com gente”
Racismo escancarado
Questionado sobre como reagiria se o filho se apaixonasse por uma negra, Bolsonaro respondeu: “Ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu”, declarou.
As declarações geraram uma onda de revolta e indignação em todo o país. Deputados dos Partidos da base de apoio ao Governo da Presidente Dilma Rousseff, e da Oposição, repudiaram as palavras de Bolsonaro e defenderam que deve perder o mandato por quebra de decoro parlamentar.
Os parlamentares protocolaram na noite desta terça-feira (29/03) representação para que seja investigado pela Corregedoria da Câmara.
A cantora Preta Gil, filha do ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, já constituiu advogado para processar o deputado cível e criminalmente.
“Tenho funcionários negros…”
Preocupado com as declarações, Bolsonaro, que é o porta-voz da extrema direita militar, com histórico de polêmicas em que defende posições pró-ditadura militar e declaradamente fascistas, alegou não ter tido a intenção de fazer declaração racista. “Tenho funcionários negros, minha esposa é afrodescendente e o meu sogro é mais negro que mulato” afirmou.
O histórico de declarações racistas e homofóbicas, no entanto, não impediram que o deputado fosse escolhido pelos seus pares de Partido para fazer parte da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.
Segundo o Secretário Nacional da Diversidade Humana da UGT, Magno Lavigne, as declarações racistas e homofóbicas de Bolsonaro acontecem precisamente na semana da passagem dos 47 anos do golpe militar de 1.964, do qual o parlamentar é defensor ferrenho.
“Não é possível mais tolerar que parlamentares usem a imunidade parlamentar desrespeitar a sociedade brasileira e, em particular, as mulheres e a população negra. Bolsonaro é o representante e porta-voz da linha dura militar, que torturou, matou e sumiu com gente durante a ditadura. Não podemos permitir que continue usando a tribuna do Congresso Nacional para defender um regime do qual o povo brasileiro já se viu livre depois de anos de luta”, afirmou Lavigne.
NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DO DEPUTADO BOLSONARO
À propósito das declarações do deputado Jair Bolsonaro, do PP, do Rio, que, em programa de TV de alcance nacional ofendeu a população negra brasileira – a metade da população do país -, a Secretaria Nacional da Diversidade Humana da UGT, vem a público repudiar tais manifestações e anunciar que engrossará o movimento visando a cassação do mandato daquele parlamentar, indigno de ocupar uma cadeira no Congresso Nacional Brasileiro.
Não é de hoje que Bolsonaro – porta-voz da extrema direita militar, que durante a ditadura matou, torturou e sumiu com gente – ofende o povo brasileiro.
Desta vez, contudo, passou dos limites, ao fazer declarações de caráter abertamente racistas, o que configura a prática da apologia a um crime que a Constituição considera inafiançável e imprescritível.
Ao mesmo tempo em que repudia e rechaça tais declarações, a UGT manifesta a solidariedade dos trabalhadores filiados à Central, a cantora Preta Gil, gratuita e injustificadamente ofendida e, por extensão, a todas as mulheres negras brasileiras.
Pela abertura de processo contra o Deputado Jair Bolsonaro, visando a cassação do seu mandato por quebra de decoro parlamentar.
S. Paulo, 30 de março de 2011
MAGNO LAVIGNE
SECRETÁRIO NACIONAL DA DIVERSIDADE HUMANA DA UGT

Da Redacao