S. Paulo – A Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (MEC) publicou apenas nesta quinta-feira, 19 de março, no Diário Oficial da União, a Portaria 384, em que reconhece o Curso de Bacharel em Administração do Instituto Afro-Brasileiro de Ensino Superior, Faculdade Zumbi dos Palmares. A publicação da Portaria, que é assinada pela Secretária de Educação Superior, Maria Paula Dallari Bucci, confirma que a Unipalmares vinha sonegando dos alunos, a informação sobre o não reconhecimento do curso.
Afropress já havia antecipado, em 05 de fevereiro passado (veja matéria), informação da Assessoria de Imprensa do MEC de que a Portaria estava em fase final de elaboração e que seria publicada em breve, contrariando os termos da Nota Oficial da instituição sobre o caso.
O não reconhecimento, segundo o próprio MEC, foi o que provocou o atraso na entrega dos diplomas da primeira turma, cuja formatura, no Ginásio do Ibirapuera, em março do ano passado, foi transformada em um megaevento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, governador José Serra, Prefeito Gilberto Kassab e seis ministros do Governo, entre outras autoridades, e os cantores Martinho da Vila, Simoninha e artistas da Globo como o ator Milton Gonçalves.
Informação sonegada
Mesmo depois das primeiras denúncias feitas pela presidente da Comissão de Formatura, Sônia Maria da Silva, que chegou a ameaçar ir à Justiça para obter a certificação, a direção da Unipalmares, insistia na tese de que o “curso de Administração era autorizado e reconhecido pelo Ministério da Educação”, conforme nota enviada pela jornalista Francisca Rodrigues, diretora da Comunicação da Unipalmares, ao tentar desmentir a Afropress.
Com a declaração da própria Secretaria de Educação Superior de que a portaria ainda não havia sido publicada e, portanto, o Curso não era reconhecido, o diretor José Vicente e a direção da Escola passaram a adotar a estratégia do “abafa”, recusando-se a falar do tema, mesmo diante das queixas crescentes dos alunos e da denúncia do presidente da Associação dos Docentes da Zumbi – ADZUMBI – Renato Aparecido Gomes, que disse haver na instituição um clima de perseguições, falta de transparência e de caça às bruxas e afirmou que o atraso da entrega dos diplomas não era normal.
Na página da Unipalmares, nesta sexta-feira (20/03), o ex-delegado de Polícia, José Vicente, diante da publicação da portaria, mandou postar comunicado sob o título “Vitória justa e merecida” e informando que o reconhecimento teria sido um ato do ministro Fernando Haddad em comemoração ao Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial. “Muito obrigado ao ministro, ao deputado federal Vicentinho e parabéns à toda a comunidade Zumbi!”, diz Vicente no lacônico comunicado em que tenta encerrar o caso.
Ele não informa quando os diplomas passarão a ser entregues aos formandos do Curso, porém, anteriormente a diretora de Comunicação havia dado prazo de até 15 meses da colação do grau – que aconteceu no dia 13 de março do ano passado.
As primeiras matérias sobre o atraso na entrega dos diplomas e de não reconhecimento do Curso de Administração da Unipalmares que tinha autorização para funcionar, mas ainda não fora oficialmente reconhecido – foram publicadas no dia 04 de janeiro, sob o título “Um ano depois, alunos da Palmares não viram cor do diploma”.
Nesta sexta-feira, 20 de março, a Redação de Afropress tentou mais uma vez, sem sucesso, fazer contato com a instituição. A direção da Unipalmares também não respondeu a e-mail enviado a diretora Francisca Rodrigues, pedindo entrevista.

Da Redacao