Porto Alegre/RS – Ativistas ligados às comunidades quilombolas gaúchas farão, no final da tarde desta sexta-feira (19/11), a entrega de rosas à viúva Milena Freitas, para marcar a passagem do primeiro ano do assassinato de Beto Freitas, o homem negro espancado até a morte por seguranças do Carrefour.

A Comissão, que reúne os principais territórios quilombolas de Porto Alegre, é liderada pelo advogado Onir Araújo (foto abaixo), da Frente Quilombola do Rio Grande do Sul e membro do Coletivo Cidadania, Antirracismo e Direitos Humanos.

SÍMBOLO DE SOLIDARIEDADE

Onir disse que o gesto de entregar 40 rosas – a idade que tinha Beto quando foi assassinado – é simbólico para expressar a solidariedade ativa de todos os que estão irmanados na luta contra o racismo e por Justiça.

Na véspera, a família, representada pela viúva e pelo pai de Beto, João Batista Rodrigues Freitas, por meio do escritório dos advogados Carlos Barata (foto abaixo) e Hamilton Ribeiro, divulgou declaração pedindo justiça, o cumprimento da Lei e em apoio ao Coletivo de advogados constituído por entidades paulistas – a SOEUAFROBRASILEIRA e o COLETIVO DE ADVOGADOS PELA DEMOCRACIA (COADE) – que luta na Justiça para que o Carrefour seja civilmente responsabilizado pela morte.

Veja a íntegra da Nota divulgada pelo Coletivo para marcar o primeiro ano do crime.

JUSTIÇA PARA BETO FREITAS
NÃO VAMOS ESQUECER. FOI RACISMO

No dia que marca a passagem do primeiro ano do assassinato bárbaro de JOÃO ALBERTO SILVEIRA FREITAS, um homem negro trabalhador, por seguranças a serviço do Carrefour, na loja Passo D’Areia, em Porto Alegre, nós, advogados do Coletivo Cidadania, Antirracismo e Direitos Humanos e as entidades que nos constituíram – a SOEUAFROBRASILEIRA e o COLETIVO DE ADVOGADOS PELA DEMOCRACIA (COADE) – reiteramos nossa mais firme disposição de levar até às últimas consequências e instâncias a luta por Justiça.

Fazemos coro ao que diz a família de Beto Freitas representada pela viúva MILENA FREITAS e pelo seu pai, sr. JOÃO BATISTA, de que a Justiça pela qual lutamos se traduz a punição exemplar dos acusados pelo crime – a maioria dos quais – já está em liberdade, aguardando julgamento.

A tradição de um sistema judicial que reproduz o racismo institucional nas suas instâncias, decisões e práticas, posto que expressão de uma República construída sobre os escombros do escravismo, deve nos deixar e a toda sociedade brasileira, alertas.

A delegada que indiciou os acusados ao cabo do inquérito que apurou a autoria e a materialidade do crime e a própria denúncia oferecida pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul, não viu o que o mundo inteiro viu: o racismo na sua modalidade mais perversa, agressiva, violenta e homicida.

Por outro lado, os acordos negociados na esfera cível, por entes privados com o aval de órgãos públicos ao arrepio da Lei da Ação Civil Pública (7347/85) e ao Estatuto da Igualdade Racial buscam amenizar, e mesmo excluir, a responsabilidade da empresa violadora, reincidente em tais práticas, como todo o Brasil sabe e conhece.

O crime bárbaro de que foi vítima Beto Freitas deve se constituir em um definitivo divisor de águas. Sua morte não pode ter sido em vão, como bem assinala a Declaração Pública assinada pela família.

É preciso botar fim, de uma vez por todas, a cultura de violência que atinge a maioria da população brasileira – preta e parda – de acordo com todos os indicadores oficiais, alvo e vítima de preconceitos seculares, estereótipos, discriminações, humilhações e morte.

É o que nós esperamos.

É o que espera a família de Beto Freitas. É o que o Brasil todo espera.

São Paulo/Porto Alegre/Vitória – 19 de Novembro de 2.021

COLETIVO DE ADVOGADOS CIDADANIA, ANTIRRACISMO E DIREITOS HUMANOS

ANDRÉ MOREIRA
CLÁUDIO LATORRACA
CARLOS BARATA
DOJIVAL VIEIRA
HAMILTON RIBEIRO
RODRIGO SÉRVULO
ONIR ARAÚJO

Entidades:
SOEUAFROBRASILEIRA
COADE
FRENTE QUILOMBOLA/RS