De acordo com a teoria Sócio Cognitiva de Albert Bandura, o ser humano se comporta norteado pela interrelação entre o comportamento, os fatores pessoais e o ambiente, todos agindo como determinantes que se influênciam bidirecionalmente.
Esta relação é denomidada segundo pesquisadores como reciprocidade triádica¹. Existe uma outra teoria, dentro desta supracitada, nomeada Teoria de Autodeterminação que diz que a motivação é o motor primário do comportamento humano, e é norteada por necessidades básicas inatas, que são: sentir-se competênte, sentir-se com agência pessoal, e sentir-se filiado a um grupo social de interesse². Estas necessidades são contempladas quando o contexto na qual o indivíduo se encontra é avaliado pelo mesmo como positivo, seguro, um ambiente na qual ele se sinta bem.
Porém, quando o indivíduo percebe o ambiente como adverso, e não mais tem contempladas as necessidades básicas inatas, acaba por desenvolver um comportamento ou conduta não autodeterminada, perdendo controle ou agência pessoal e se sentindo controlado por fatores sociais externos à suas vontades e prazeres.
Como será que estas necessidades básicas inatas do ser humano de agência pessoal, competência e relacionamento social, se desenvolvem no (a) negro (a) brasileiro (a)? Será que temos nossas necessidades básicas contempladas? Será que é possível contemplarmos plenamente nossas necesidades nesta dinâmica social estabelecida, onde o racismo permeia as relações humanas.
Em matéria de Saúde Coletiva, como é possível pensar em desenvolvimento da saúde positiva da população negra através de intervenções por meio de projetos de estado (ou de governo na pior das hipóteses) sem fazermos aproximações teóricas, e, principalmente, sem investigarmos os mecânismos psicológicos e sociais do racismo e outras intolerâncias correlatas, e o impacto desta nos vários aspectos do constructo complexo da Saúde?
É necessário construirmos esta maturidade científica.
Referências literárias:
¹ Azzi, R. G.; Polydoro, S. A. J. Auto-eficácia em diferentes contextos. Campinas: Alínea. 2006.
² Ryan, R. M.; Deci, E. L. Self-Determination Theory and the facilitation of intrinsic motivation, social development, and well-being. American Psychologist. 2000; 55(1): 68-78.

José Evaristo Silvério Netto