Queens, Nova York – No início dos anos 90, o então prefeito de Washington, Marion S. Barry, foi flagrado fumando crak em um pequeno quarto de hotel.  O episódio quase apagou o seu legado de um passado de lutas e de conquistas pessoais.

Mesmo depois de passar seis meses atrás das grades, Marion S. Barry, voltou à prefeitura sendo reeleito em 1994 para mais um mandato, confirmando o apelido de “Mayor for Life”(Prefeito Eterno – trad. Livre). O que não deixou de ter sido um ato extraordinário tendo em vista que, por muito menos (infelidade conjugal), políticos nos EUA, deixam a vida pública maculados e sem qualquer possibilidade de redenção política. A única exeção continua sendo a do ex-president Bill Clinton que, apesar do escândalo sexual, envolvendo a estagiária Monica Lewinsky continua bastante popular.

Atualmente com 78 anos, Marion S. Barry faz parte da Assembléia Municipal e está tentando reescrever  sua história na autobiografia intitulada “Mayor for Life: The Incredible Story of Marion Barry jr.”. Perguntado recentemente sobre o episódio  no quarto do hotel Vista, ele foi incisive: “O episódio do hotel Vista é somente uma pequena fresta dourada. Tampouco, me define”.

Quando Marion S. Barry era um jovem ativista pelos direitos civis na década de 70, a população da cidade era majoritáriamente afro-americana – hoje é de 50%. Isso tem grande importância numa época em que a política com um viés étnicorracial vai perdendo espaço. Guindastes e andaimes preenchem a paisagem mostrando uma mudança demográfica onde profissionais jovens e brancos buscam melhores oportunidades. Os eleitores que Marion S. Barry representava quando era prefeito sentem-se órfãos.

Hoje, o ex-prefeito está novamente no noticiário, e não por algum projeto de Lei ou outra iniciativa. Nos últimos anos ele tem aparecido com certa frequência nas manchetes por causa do vício com a bebida e também por ter o seu nome ligado as drogas. Parado várias vezes pela policia ele credita tais incidentes ao racismo institucional, afirmando que só é parado por policiais porque é afro-americano e está atrás de um volante.

Na sua autobiografia, descreve em detalhes a primeira vez que usou a cocaína oferecida por uma mulher desconhecida. “Senti como se tivesse ejaculado”. E segue:  “ A cocaína era um estimulante poderoso que foi direto ao meu pênis.  Daali em diante, você busca a mesma sensação e sexo que você sentiu a primeira vez”, disse depois de confessar ter feito sexo com a mulher.

Sua história é o que poderiamos chamar de pegar o “boi pelo chifre  sozinho” pelo menos é o que ele diz no livro. Seus pais eram meeiros no Estado do Mississippi, e ele passou parte de sua infância numa plantação de algodão. Recebeu seu diploma universitário em Química, e por muito  pouco deixou de receber tambem seu doutorado pela Universidade de FISK no Tennessee (sul), o que não aconteceu porque acabou acabou se envolvendo com organizações da luta pelos direitos civis.

Depois  de  mudar-se para a Capital Washington para liderar a organização “Student Nonviolence Coordinating Committee”(Comitê de Coordenação de Estudantes não Violentos, na tradução livre), fundou sua própria organização chamada “Pride Inc.”(Orgulho Incorporado), que tinha como objetivo criar programas de treinamento e ajudar outros afro-americanos a encontrar trabalho.

Como prefeito institucionalizou o programa de trabalho no verão para adolescentes negros, tranformou a burocracia, antes dominada quase que exclusivamente por funcionários brancos, favorecendo contratos governamentais com empresas de propriedade de representantes de minorias. Apesar do comportamento imprevisível, muitos políticos ainda buscam seu apoio.

“Eu sempre gosto de ter o apoio de Marion S. Barry em qualquer coisa que faça”, disse Jack Evans, um politico local, que representa eleitores brancos na Assembléia Municipal.

Viva Nova York

Nós consumidores contemporâneos de acúcar jamais nos perguntamos de onde vem este adoçante branco. Nos meus tempos de São Paulo ele era produzido na Zona Leste na fábrica União.

 Pois bem, aqui em nova York até 10 anos atrás o melaço era tranformado em pó branco numa fábrica de acúcar chamada Dominó localizada no bairro do Brooklyn. A producao do açúcar mudou para o interior do Estado, mas a fábrica continua no mesmo lugar e segundo informações será demolida para construção de condomínios.

Para homenagear os escravos e tambem os trabalhadores contemporâneos, a artista Kara Walker, conhecida por seu trabalhos sobre a escravidão nos EUA, criou uma esfinge de açúcar e a “plantou” juntamente com figuras de crianças carregando cestas nas mãos ou nas costas dentro da fábrica desativada no Brooklyn. O nome da exposição é "Subtlety” ou sutileza.

Desde que a exposição estreou em maio e mais de 100 mil pessoas já passaram pela fábrica desativada. Entre os visitantes estiveram o prefeito e sua esposa, as atrizes Jodie Foster e Julianne Moore. Detalhe: estas duas entraram na fila para poder reverenciar o trabalho de Kara Walker.

 

 

 

 

 

 

 

Edson Cadette