Até a sexta-feira (18/09) a secretária Benedita da Silva não havia confirmado presença na caminhada;
A única confirmação que tínhamos – e que foi a seguida – era a do coordenador de Direitos Humanos da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, sr. Cláudio Nascimento, e que, diante da ausência de contato da assessoria direta da secretária, deveria representar a instituição;
Quando Benedita da Silva chegou a Caminhada, o representante de sua secretaria tinha acabado de se pronunciar representando o órgão. A SEASDH teve representante porque foi uma das apoiadoras do evento;
Truculência – uma história triste
A assessoria da secretária, desde a sexta-feira (18/09), mesmo não confirmando a participação de Benedita da Silva, num tom arrogante e autoritário – tipo “Tô pagando!” – determinou que a CCIR deveria autorizar a montagem de uma barraca para que a secretária recebesse os convidados dela. Não autorizamos montagem de estrutura para nenhum apoiador porque não queríamos que a orla virasse uma feira;
No sábado (19/09), véspera do evento, a assessoria da secretária telefonou ao secretário geral da CCIR e disse que – diante de nossa recusa em deixá-la colocar a estrutura em Copacabana – colocaria uma tenda na marra e para isso entraria em contato direto com o prefeito Eduardo Paes. Imediatamente, enviamos um comunicado ao prefeito informando que não nos responsabilizaríamos por qualquer outra estrutura montada na orla;
Numa demonstração clara de desrespeito (ou de desinformação, como saber?) à luta dos religiosos, a secretária Benedita chegou à caminhada acompanhada da deputada Beatriz Santos (PRB-RJ) da Igreja Universal. Os parlamentares eleitos pela IURD representam, para nós, o que há de pior na política em nível nacional. É de conhecimento público que a bancada eleita pela Igreja Universal – assim como seus veículos de comunicação – utiliza de seu poder para perseguir religiosos de matriz africana;
No momento em que cheguei ao carro de som, convocada pela segurança, presenciei a assessoria da secretária humilhando e constrangendo um umbandista (jornalista da minha equipe) que estava voluntariamente ajudando na recepção das autoridades;
Confesso que, diante da cena, também fiquei revoltada. Umbandistas e candomblecistas são achincalhados todos os dias e foi preciso ter muito estômago para lidar com a situação. O babalawo Ivanir dos Santos chegou para apaziguar os ânimos da secretária e de sua assessoria, e também da equipe de apoio da Caminhada;
Acredito que as autoridades não deveriam reproduzir estereótipos. O poder é uma espécie de ópio que embriaga e vicia. Porém, na lógica dos religiosos, ninguém consegue nada na marra. As autoridades precisam apoiar este e outros movimentos sociais sem quererem se apoderar deles. A Caminhada é feita por religiosos e para religiosos.
Lamento profundamente que este triste episódio tenha acontecido com a secretária Benedita, por tudo que ela representa. Mas, não podemos ter dois pesos e duas medidas. Ou corremos o risco da Caminhada virar um grande palanque de políticos e oportunistas.

Rosiane Rodrigues