Implodimos o Colégio Eleitoral e vencemos a ditadura militar, construímos uma Constituição mais cidadã e avançamos na elasticidade democrática elegendo um presidente inspirado pela ótica dos oprimidos. Mas ainda assim, registramos dados de racismo e discriminação frutos da cultura racista que hierarquiza seres humanos. Uma cultura que mantém valores, mentes e crenças presas nas correntes do passado.
A luta para a construção de uma sociedade menos desigual e que promova a igualdade racial é pauta das agendas dos governos municipal, estadual e federal, mas impulsionada pelo Movimento Social Negro Brasileiro que conseguiu agendar a sociedade com o tema que antes mereceu rejeição fora dos territórios da militância negra.
Ainda no governo Lula, em 20 de julho do ano passado, o Brasil conheceu o Estatuto Nacional da Igualdade Racial. Agora, oito meses depois, no mesmo Salão Nobre do Itamaraty, em Brasília, onde o primeiro presidente operário sancionou o primeiro Estatuto da inclusão racial, a primeira mulher a presidir o Brasil, recepciona o primeiro negro a presidir os Estados Unidos. Uma foto jamais vista!
A visita da família Obama ao Brasil é o melhor retrato do futuro que a comunidade brasileira pode projetar para os milhares de Obamas e as milhares Michelles espalhadas nas periferias das nossas cidades. Basta que oportunizemos e alimentemos os sonhos da meninada negra brasileira.
Será uma boa homenagem à memória dos revoltosos massacrados pelo regime do apartheid naquele 21 de março. O dia em que a ONU estabeleceu como o Dia de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial.

Ailton Ferreira e Elói Ferreira